O clima político do Brasil não esfriou com o passar dos dias da prisão do ex-presidente Luiz Inácio #Lula da Silva, o Lula, concluída após uma arrastada negociação que durou o último final de semana. Nesta quarta-feira, dia 11, os ânimos esquentaram entre o juiz federal Sérgio #Moro, responsável direto pelas investigações da Operação Lava-Jato, e o advogado Cristiano Zanin, membro da equipe da defesa de Lula.

O bate-boca ocorreu durante uma audiência que serviu para colher depoimentos do empresário Marcelo #Odebrecht. Na sessão, Odebrecht prestaria esclarecimentos sobre uma suposta compra de um terreno, por parte da Odebrecht, para a construção da sede do Instituto Lula.

No entanto, a obra nunca foi feita na área localizada na zona sul de São Paulo.

A discussão entre Moro e Zanin ocorreu justamente por conta da origem da audiência. Na interpretação do juiz, a defesa de Lula foi a responsável pela solicitação da audiênca, enquanto a defesa, na pessoa do advogado Zanin, negou ter requerido qualquer tipo de encontro, apenas uma verificação do material apresentado por Odebrecht sobre o caso ainda em fevereiro desse ano.

Só que Moro, nesse caso, argumentou que quando uma das partes apresenta questões escritas a um réu, o mesmo tem direito de ser ouvido durante o processo. Mas Zanin ressaltou que não teria pergunta alguma a fazer a Odebrecht, pois não teria tido acesso à íntegra dos documentos que envolviam o empresário.

"Eu acho que deve ser um pouco de brincadeira da defesa", disparou Moro.

"Não, não se trata de brincadeira. A defesa precisa ter acesso aos documentos", retrucou Zanin, que alegou ter feito uma troca de emails com uma autoridade da Polícia Federal fazendo exatamente essa solicitação.

De julho de 2010 a março de 2012, as mensagens presentes nesses emails indicam como a Odebrecht agiu para esconder sua própria participação na compra do terreno referido. Não há citação ao ex-presidente, que chegou a admitir que visitou de fato o espaço, mas não teve interesse na compra. O Ministério Público interpretou o caso como pagamento de propina de Odebrecht a Lula em troca de favorecimentos em contratos com a Petrobras.

Odebrecht acredita que pode complicar ainda mais a vida de Lula

Como se já não bastasse a prisão ocorrida no último final de semana e a incerteza quanto ao futuro político, Lula teve de conviver também nesta quarta-feira com uma espécie de "ameaça" feita pelo empresário Marcelo Odebrecht, durante a referida audiência presenciada pelo juiz Sérgio Moro [VIDEO] e pelo advogado de defesa, Cristiano Zanin.

Odebrecht teria acrescentado emails ao processo ainda no mês de fevereiro, e Zanin criticou o fato de não ter tido acesso a esse material - daí, desencadeou o atrito com Moro. Ao dialogar com Odebrecht sobre a quantidade de emails enviados, o advogado se deparou com uma fala incisiva sobre o seu principal cliente.

"Acredito que eu já tenha encaminhado aproximadamente três mil emails. O que posso dizer para o senhor é a seguinte situação: o melhor que a defesa pode fazer agora é ficar com esses emails, porque quanto mais eu falar, mais a vida de Lula vai se complicar", disparou Odebrecht.

Em mais de uma ocasião, a defesa do ex-presidente da República reafirma a inocência de Lula nesse caso e garante que o conteúdo dos emails "não servem para corroborar qualquer tipo de prova". Eles alegam também que não houve nenhum tipo de autenticidade confirmada pelo laudo emitido pela Polícia Federal. Após a rejeição do habeas corpus no STF e do mandado de prisão emitido por Sérgio Moro, Lula [VIDEO] se encontra atualmente preso em uma cela em Curitiba.