O jornal Folha de S. Paulo divulgou nesta quinta-feira, dia 12, que a arquiteta Maria Rita Fratezi, esposa do coronel e amigo pessoal do presidente Michel Temer (MDB), João Baptista Lima Filho, teria pago a reforma de um imóvel da filha do presidente, a psicóloga Maristela Temer, em dinheiro vivo.

A informação foi revelada ao jornal por Piero Cosulich, dono da Ibiza Acabamentos, uma das fornecedoras de materiais utilizados na obra da filha de Temer. O empresário confirmou que Maria Rita realizou os pagamentos “em espécie” dentro de sua loja. Um dos recibos seria no valor de R$ 12.480, e consta com o nome de Maristela Temer.

A Polícia Federal (PF) investiga se o dinheiro teria partido de propina da JBS pagos ao coronel João Baptista Lima Filho a mando de Temer. Além da JBS, a Operação Skala também investiga se aliados de Temer receberam benefícios [VIDEO] da Rodrimar S/A, empresa que atua no porto de Santos, litoral de São Paulo, e teria sido beneficiada com o chamado “decreto dos portos” [VIDEO], assinado por Temer em maio de 2017.

Tanto Maria Rita quanto o coronel João Baptista Lima Filho são alvos da Operação Skala, que investiga suspeitas de que empresas teriam sido beneficiadas com favores políticos em troca de propina. Responsável pela operação, a PF chegou a prender João Baptista Lima Filho em caratér temporário. Já sua esposa foi intimiada a depor. Ambos se recusaram a falar sobre o caso.

João Baptista Lima Filho é coronel aposentado da Polícia Militar de São Paulo (PM-SP).

Além dele, a Operação Skala também deteve outro amigo próximo de Temer, o advogado José Yunes, que também já atuou como assessor do presidente. Aliados de Temer acreditam que a operação tenha o presidente como alvo final.

Ciente disso, Temer tem se reunido com seus advogados e advogados para traçar estratégias de defesa jurídicas e políticas. O Planalto acredita que o presidente possa ser alvo de uma nova denúncia da Procuradoria Geral da República (PGR), que seria a terceira desde que tomou posse após a queda da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), de quem era vice até meados de 2016.

Em meio a novo escandâlo, Temer insiste em disputar a reeleição

Na última segunda-feira, dia 9, o cerco ao presidente começou a se fechar, quando seus amigos próximos e aliados políticos se tornaram réus por determinação do juiz Marcus Vinicius Reis, da 12ª Vara da Justiça Federal em Brasília, que aceitou denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal.

Os investigados são acusados de formarem uma organização criminosa que autou na Câmara dos Deputados, obtendo vantagens políticas para empresas em troca de propina.

O grupo foi batizado de “quadrilhão do MDB”, e o presidente, que já atuou como presidente da Câmara, também estaria implicado nas investigações. A situação de Temer também pode piorar a partir do ano que vem, quando o presidente deve deixar o cargo e perder o foro privilegiado, podendo se tornar réu e ser julgado como os outros investigados.

Enquanto vê mais um escândalo se aproximar de seu instável governo, Temer continua instindo que pretende disputar a reeleição em outubro. Segundo informações publicadas pelo jornalista Josias de Souza, o presidente estaria instindo em ser o cabeça da chapa do MDB, que vê o ex-ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, como vice ou plano B para encabeçar a chapa.

Com apenas 6% de aprovação e prestes a enfrentar o avanço das investigações da Operação Skala, Temer estaria argumento que quer defender o legado de seu governo. O presidente também aposta suas fichas na intervenção federal na Segurança Pública do estado do Rio de Janeiro para tentar conquistar uma parte do eleitorado. Até o momento, as pretensões de Temer parecem nulas, mas o presidente continua firme na ideia de participar da disputa presidencial.