Nesta segunda-feira (16), um evento da Faculdade de Direito da Universidade de Harvard reuniu dois juízes de grande credibilidade no combate à corrupção: Sérgio Moro e Marcelo Bretas, e a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, além de outros nomes importantes do Judiciário.

Raquel Dodge defendeu o mesmo conceito do juiz Sérgio Moro em relação ao foro privilegiado. Para ela, isso tem que acabar para que as leis possam ser aplicadas de uma forma eficaz contra aqueles que possuem esse benefício especial e que cometeram crimes.

Na visão de Dodge, o fim do foro privilegiado aumentará a credibilidade dos juízes de primeiro instância e é um elemento que ajudaria no combate à corrupção.

Em sua fala, a procuradora falou das grandes lições da Operação Lava Jato que amedrontou os criminosos e puniu com o rigor devido aqueles que se utilizaram da devastação dos cofres públicos. Na presença de Moro e do juiz responsável pela Lava Jato no Rio, Marcelo Bretas, Dodge [VIDEO] ressaltou que a firmeza contra a corrupção vieram de juízes que estão no primeiro grau da carreira se referindo aos dois que estavam presentes no evento.

Ao falar dos juízes da Lava Jato, Dodge pode ter "cutucado" os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), principalmente Dias Toffoli e Gilmar Mendes. O primeiro por ter pedido vista de um assunto tão importante e interromper uma votação já ganha a favor do fim do foro privilegiado e o segundo por sempre estar contra as decisões da Lava Jato.

Pronunciamento de Moro

Sérgio Moro expôs a dificuldade que existe em punir aqueles que possuem o foro especial.

Segundo o magistrado, deveria ter uma emenda constitucional que acabasse com o foro privilegiado de todas as autoridades, pois isso que acontece no Brasil é tipo de um "escudo" contra a aplicação da Lei.

No dia 02 de maio, haverá no Supremo Tribunal Federal (STF) uma retomada desse assunto e há a tendência de redução na abrangência do foro especial, porém, sua total eliminação não é unânime entre os ministros.

Fiscalização

Moro afirmou que não se preocupa com os riscos de pressão política sobre as decisões que seriam tomadas pelos juízes de primeira instância, caso houvesse o fim do instituto. O magistrado alertou que além dos juízes, existe por trás de suas decisões o Ministério Público e a sociedade que fiscaliza o Judiciário.

Moro [VIDEO] ressaltou que, toda mudança tem os efeitos colaterais e comentou: "A vida é um experimento".