O argentino Adolfo Perez Esquivel, ativista dos direitos humanos e ganhador do prêmio Nobel da Paz por suas lutas contra as ditaduras militares na América Latina, afirmou que vai visitar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de qualquer jeito. Esquivel é um defensor de Lula e disse que o ex-presidente tirou milhões de brasileiros da fome e não pode estar preso e ser impedido de participar das eleições.

Ele afirmou que irá pedir autorização do juiz federal Sérgio Moro, mas enfatizou que isso não pode ser negado, pois Lula não pode ficar isolado, sem comunicação. O procurador e coordenador da força-tarefa da Lava Jato, Carlos Fernando dos Santos Lima, não concorda com essa visita do Nobel da Paz.

Ele ressaltou que não existe previsão legal no ordenamento jurídico brasileiro para a realização dessa inspeção na Polícia Federal. O procurador afirmou ter certeza que o pedido deve ser indeferido.

Esquivel chegou a protocolar um tipo de comunicação de inspeção para analisar como estão as condições da prisão do ex-presidente Lula e de outros presos na carceragem da PF. O pedido de Esquivel foi enviado ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que tem no comando a presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia, e também à juíza Carolina Moura Lebbos, da 12° Vara Federal de Curitiba, que tem decidido se autoriza as visitas ao ex-presidente ou nega.

Conforme informações, todas as decisões da juíza [VIDEO] têm o manifesto do juiz Sérgio Moro. Esquivel argumenta que a visita dele deve ser autorizada, pois está dentro das Regras Mínimas da ONU (Organização das Nações Unidas) para o Tratamento dos Presos (Regras de Mandela).

Segundo ele, órgãos internacionais podem vistoriar prisões no Brasil.

Confronto

Carlos Fernando comentou que o Ministério Público Federal (MPF) não antevê óbices aos requerimentos de autorização de visita formulados e comentou que a Justiça brasileira pode indeferir o pedido. Esquivel retrucou, dizendo que pelas Regras de Mandela, a execução das penas vinculam tanto em âmbito Federal quanto no estadual. Ele insiste em ver Lula e não aceita resposta negativa.

Acusações

Numa forma de defender Lula, o Nobel da Paz ainda atacou as Forças Armadas, dizendo que, antigamente, eram elas quem davam os golpes. Como esse modelo foi esgotado, juízes aliados do sistema é que são os responsáveis em controlar a sociedade, declarou.

O argentino ainda afirmou que existem planos estruturados que enganam as pessoas. As palavras de Esquivel podem ser vistas como uma ofensa aos trabalhos do juiz Sérgio Moro. O magistrado, sabendo disso, pode negar a visita do argentino programada para esta sexta-feira (20) .