Com a proibição de receberem verbas vindas da iniciativa privada e de origem empresarial, os partidos políticos brasileiros vêm mudando sua tática ao buscar pessoas com bom capital formado e guardado para se lançarem candidatos a cargos legislativos públicos.

Ainda não há limite fixado para que um candidato se utilize do autofinanciamento para fazer uma campanha eleitoral.

Essas duas situações geraram uma rápida consequência: os candidatos que tiverem mais dinheiro no bolso e se dispuserem a tirá-lo dele, obterão maior facilidade na campanha e maior receptividade por parte das legendas políticas.

A explicação encontra-se no teto máximo permitido para o pagamento com as despesas: de acordo com a regra, o candidato poderá bancar todos os gastos decorrentes de sua candidatura – desde que se respeite o valor máximo permitido.

Efeito dominó

Isto é apenas a primeira peça do dominó que cai em direção a segunda peça, pois esta será a primeira eleição em que os partidos se verão obrigados a repartir ou cobrir os custos da corrida eleitoral de seus candidatos.

Portanto, o raciocínio dos partidos é o seguinte: para conseguir uma melhor margem na constituição de um fundo eleitoral no futuro, há que se buscar pessoas abastadas ou que queiram investir pesadamente. Em suma, os candidatos com mais dinheiro tornam-se, do ponto de vista da contabilidade, um ativo financeiro atrativo [VIDEO]e, que em tese, pode ser utilizado.

A prata que brilha nos comícios

Sendo assim, não é preciso ir muito longe para se verificar quais figuras públicas se enquadrariam nesse perfil desejado pelos partidos políticos. Os nomes do Prefeito de São Paulo, João Dória Júnior, e do Ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, parecem preencher os requisitos com naturalidade.

Na semana passada, outro que atendeu a este novo perfil foi o empresário Flávio Rocha [VIDEO], dono de uma famosa loja de moda e vestuário.

Fazendo as contas com calculadora, celular...

A tendência dos partidos é que eles deem prioridade aos cargos parlamentares federais e o motivo para isso está no fato tamanho da bancadaXquantidade de verba liberada; quanto mais deputados uma legenda tiver na Câmara Federal, maior será a quantia disponibilizada para a respectiva legenda.

Uma vez liberados, fatalmente ocorrerá a utilização dessa verba para bancar as campanhas políticas pelo Brasil.

Para não gastar o dinheiro “à toa”, muitos partidos têm feito uma análise mais cuidadosa e meticulosa acerca de nomes para os governos estaduais. Se o candidato é viável, pode-se investir. Se não, é melhor descartá-lo para não perder dinheiro. Examina-se o nome de outro candidato. Uma lógica reveladora: opção por nomes que possuam um patrimônio/capital mais robusto.

O autofinanciamento de campanhas é alvo de questionamento no Supremo Tribunal Federal, o qual ainda julgará a questão.

Alguns parlamentares e figuras políticas andam fazendo as contas, levando em consideração a regra do autofinanciamento. A maioria admite pagar do bolso - parte ou o total das despesas. Porém, uma parcela deles acha que vão precisar do fundo partidário.

Adotando outras estratégias

O presidente do Partido Novo, Moisés Jardim, chama a atenção para que o custeio integral da campanha não se transforme em um projeto exclusivo e pessoal do candidato.

Dirigentes dos partidos estão deixando o caminho livre para a formação de alianças nos estados. Enquanto isso, o que tem tomado tempo dos partidos é o período da janela partidária, cujo término se dará em 7 de abril. Só após essa data, é que haverá condições para um planejamento mais conciso nas possíveis alianças.

A frase mais realista foi proferida pelo Senador José Agripino: “é a viabilidade eleitoral que vai ditar quem vai receber os recursos.”