A semana não começou animadora para o senador Aécio Neves, do PSDB de Minas Gerais. Em votação da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal, o STF, ele acabou se tornando réu por corrupção e obstrução de Justiça. A votação dos cinco ministros escalados nesta terça-feira, 17, não deixou margem para dúvidas: 5x0 no que dizia respeito à corrupção e 4x1 sobre obstrução de Justiça, quando apenas Alexandre de Moraes votou de maneira contrária.

Os ministros Marco Aurélio Mello, Luís Roberto Barroso, Luiz Fux, Rosa Weber e Alexandre de Moraes, que há poucas semanas estiveram envolvidos na polêmica votação do habeas corpus do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Lula, foram os responsáveis por apreciar a matéria envolvendo Aécio Neves. Apenas Moraes, como referido, deu voto favorável ao tucano contra a obstrução de Justiça.

Aécio, que alegou já esperar essa decisão, passa a agora a ser réu no STF e poderá discutir a ação com novas provas.

Essa mesma turma do Supremo é que fará o julgamento final, e só neste momento o senador poderá ser considerado culpado e inocente. Logo após a decisão desta terça-feira, ele voltou a reafirmar a sua inocência.

"Não teve nenhum tipo de dinheiro público ou propina, e nenhuma pessoa acabou lesada em toda essa operação. O que de fato ocorreu foi um grave crime desses empresários, que já confessaram tantos crimes e tentaram dar algum tipo de contexto de legalidade a essa operação privada", disparou Aécio, em alusão à postura dos empresários donos da J&F, Joesley e Wesley Batista.

A origem da denúncia remete a um fato ocorrido no ano passado. Em junho, a procuradoria-geral da República acusou o senador de solicitar propina no valor de 2 milhões de reais a Joesley Batista em troca de benefícios na área política. O ex-presidente do PSDB também foi acusado, neste mesmo processo, de obstruir e atrapalhar o andamento das investigações da Operação Lava-Jato.

Além de Aécio, a sua irmã Andréa Neves, o primo Frederico Pacheco de Medeiros e Mendherson Souza Lima, ex-assessor do senador Zezé Perrela (MDB-MG), também haviam sido denunciados pela PGR e vão responder por corrupção.

Em 2017, Joesley gravou uma conversa com Aécio, aos moldes do que fizera com o presidente Michel Temer. Sua irmã, Andréa, teria pedido o dinheiro e Frederico e Mendherson teriam pego o valor em espécie dividido em quatro parcelas de 500 mil reais.

Posicionamento do PSDB

A situação de Aécio gera desconforto até dentro do PSDB. Nesta quarta-feira, o presidente atual da sigla e pré-candidato à presidência da República, Geraldo Alckmin, disse em entrevista à Rádio Bandeirantes que, neste ano, "o melhor é que Aécio não seja candidato".

Alckmin lamentou o que está ocorrendo com Aécio, mas procurou afastar esse caso do restante da imagem do partido e até mesmo de Minas Gerais, reduto tradicional dos Neves. O ex-governador paulista valorizou o nome do senador Antonio Anastasia, que deve concorrer pelo PSDB ao governo mineiro.

Ex-governador de Minas Gerais, que deixou o cargo com ótima aprovação, Aécio Neves tentou pela única vez a cadeira de presidente da República no pleito disputado em 2014.

Em uma campanha tensa, nervosa, atribulada, ele cresceu na reta final do primeiro turno e conseguiu ir ao segundo, contra a candidata da situação e petista, Dilma Rousseff. Em uma das mais equilibradas disputas eleitorais da história do país, Dilma acabou vencendo por uma pequena margem de votos. A partir de então, a tendência era que Aécio Neves se fortalecesse nos anos seguintes para novamente tentar em 2018, mas os seus rumos políticos não se direcionaram para esse caminho.

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