Presidente nacional do PP, o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e o deputado federal Eduardo da Fonte (PP-PE) foram alvos nesta terça-feira, dia 24, de mandados de busca e apreensão efetuados pela Polícia Federal (PF) de Brasília. Os parlamentares tiveram seus gabinetes e apartamentos vistoriados pela PF, que cumpriu os mandados após autorização do ministro Edson Fachin, responsável pela condução dos processos da Operação Lava Jato [VIDEO] no Supremo Tribunal Federal (STF). As informações são dos portais G1 e UOL e da agência Estadão Conteúdo.

A operação realizada pela PF nesta terça-feira foi realizada em conjunto com a Procuradoria Geral da República (PGR).

Além dos dois parlamentares, a PF também cumpriu mandado de prisão contra o ex-deputado federal Marcio Junqueira, de Roraima. O ex-congressista foi detido em Brasília.

A PF investiga denúncias de que o senador Ciro Nogueira e o deputado Eduardo da Fonte compraram o silêncio de um ex-assessor do senador que se tornou delator da Justiça. Segundo o ex-funcionário do parlamentar, o pagamento para que ele não revelasse informações sobre atividades ilícitas do partido era feito em espécie e repassado por Junqueira. O ex-assessor também afirma ter sofrido ameaças de morte.

Defesa diz que Ciro Nogueira é “o principal interessado no esclarecimento dos fatos”

Em nota, a defesa do senador Ciro Nogueira afirmou que o parlamentar “sempre se colocou à disposição da Justiça” e prestou depoimentos “sempre que necessário”.

A nota também afirma que o senador é “o principal interessado no esclarecimento dos fatos”.

Enquanto a PF realiza mandados de busca e apreensão em suas dependências, o senador e presidente nacional do PP está em Bruxelas, na Bélgica, onde participa de evento da Organização Mundial do Comércio (OMC).

Nogueira assumiu a presidência do PP em 2013, e atualmente está em seu terceiro mandato à frente do partido. O PP é o partido com o maior número de políticos investigados na Lava Jato. A legenda possui uma das maiores bancadas da Câmara, com 48 deputados, integrando o bloco de maior representatividade na casa, somando 77 deputados ao lado de PODE, AVANTE e PEN.

Segundo informações da TV Globo, a defesa do deputado Eduardo da Fonte ainda não se pronunciu sobre a ação da PF.

Parlamentares do PP são investigados por prática de associação criminosa

Além dos alvos da operação desta terça-feira, a PF investiga outros parlamentares do PP suspeitos de associação criminosa. Aguinaldo Ribeiro, Arthur Lira, Benedito de Lira, José Otávio Germano, Luiz Fernando Faria e Nelson Meurer são os parlamentares do partido que estão na mira da Lava Jato.

Uma denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal (MPF) em setembro de 2017 aponta os investigados como parte de uma organização criminosa que atuaria em favorecimento próprio na Câmara dos Deputados. Segundo a denúncia, o grupo praticava a “arrecadação de propina por meio da utilização de diversos órgãos públicos da administração pública direta e indireta".

Ao todo, a PF cumpriu nove mandados contra o grupo nesta terça-feira, sendo oito de busca e apreensão e um de prisão, contra o ex-deputado Marcio Junqueira. Além de Brasília, as buscas ocorrem em imóveis localizados nas cidades de Teresina, Recife e Boa Vista.

Na decisão que autorizou o cumprimento dos mandados, o ministro Edson Fachin autorizou que a PF recolha documentos, eletrônicos e dinheiro em espécie acima da quantia de R$ 50 mil. De acordo com a PGR, chefiada pela procuradora-geral Raquel Dodge, o objetivo da operação desta terça-feira é “reunir provas de que os dois políticos tentavam comprar o silêncio de um ex-assesor que tem colaborado com as investigações".