O empresário Milton Lyra, lobista do MDB e operador do senador Renan Calheiros, teve sua prisão preventiva decretada pelo juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Criminal do Rio. Conforme as acusações, Lyra foi apontado pela Polícia Federal (PF) como um dos participantes num bilionário esquema de fraudes com recursos de fundos de pensão Postallis, dos Correios, e no Serpros.

Após apurações dos investigadores no celular de Lyra, foram constatadas mensagens que envolvem vários petistas, como o ex-tesoureiro do PT, João Vaccari Neto e o ex-ministro Antonio Palocci.

De acordo com as informações do colunista do jornal "O Globo", Lauro Jardim, os problemas para o lobista só tendem a aumentar.

O vice-procurador geral da República, Humberto Medeiros, pediu que as investigações sobre Milton Lyra e do ex-ministro Silas Rondeau sejam encaminhados à Justiça Federal do Paraná e fiquem sob responsabilidade do juiz federal Sérgio Moro. Essas investigações envolvem todo o quadrilhão do MDB no Senado e podem chegar até mesmo ao presidente Michel Temer. Porém, o foro privilegiado, por enquanto, está sendo a salvação de quase todos.

Como Lyra não possui o foro privilegiado, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) [VIDEO], Edson Fachin, acabou enviando o seu processo para a Justiça de Brasília. Porém, segundo Medeiros, o subnúcleo do MDB no Senado trabalhou juntamente com o PT numa organização criminosa que devastou a Petrobras. Vale lembrar que os desvios ocorridos na estatal petrolífera fazem parte da jurisdição de Moro.

Se Fachin ou a Segunda Turma da Corte alterarem a decisão e ao invés de enviarem para Brasília o caso de Lyra, deixarem que fique nas mãos de Sérgio Moro [VIDEO], o MDB poderá perder o sono com a rigidez das investigações do juiz da Lava Jato.

Foro privilegiado

Num evento dos Estados Unidos, Moro chegou a criticar mais uma vez o foro privilegiado. Segundo o magistrado, esse instituto seria um "escudo" de proteção para os criminosos.

O juiz defendeu que fosse aprovada uma emenda constitucional que extermine o foro especial para todas as autoridades, inclusive os magistrados.

Denúncias

O presidente Michel Temer vive a angústia de ser alvo de mais uma denúncia da Procuradoria-Geral da República. Ainda não se tem informações se o caso de Milton Lyra vai alcançar Temer, mas o presidente está sendo investigado, junto com seus aliados, sob suspeita de corrupção passiva e lavagem de dinheiro que envolve atos ilícitos em decretos de contratos portuários.

Caso Temer perca o foro privilegiado ao terminar seu mandato no fim do ano, Moro pode receber as denúncias contra o emedebista.