Envolvido em mais um escândalo de denúncias de corrupção em seu governo, o presidente Michel #Temer (MDB) voltou a usar os microfones para se defender. Discursando durante o Fórum Econômico Brasil e Países Árabes, realizado em São Paulo nesta segunda-feira, dia 2, Temer criticou o que chamou de “gente disposta a desestabilizar o país com gestos extremamente irresponsáveis”.

Sem citar nomes, Temer afirmou que os acusadores “não sentem brasilidade em seu coração”. O presidente também voltou a defender seu governo, afirmando que implementou uma agenda de reformas e “recolocou o país nos trilhos”. As informações foram veiculadas pela Agência Brasil.

As novas declarações do presidente surgem no momento em que a Procuradoria Geral da República (#PGR) e a #Polícia Federal (PF) fecham o cerco contra seus aliados [VIDEO] na investigação do Decreto 9.048/2017, conhecido como “decreto dos portos”. Assinado por Temer em maio de 2017, a medida teria beneficiado empresas portuárias em troca de propina [VIDEO], em especial a Rodrimar S/A, que atua no porto de Santos, no litoral de São Paulo.

Assim como na ocasião do escândalo da delação de Joesley Baptista, da JBS, Temer voltou a acusar pessoas externas a tentarem desestabilizar o seu governo. Como em outras oportunidades, Temer afirmou que o país saiu “da pior recessão da nossa história” e que ingressou “em uma fase de crescimento mais vigoroso e cada vez mais sustentável”.

As declarações surgem dias após as deflagrações da Operação Skala, da PF, que prenderam aliados de Temer investigados no caso do decreto dos portos.

Entre os investigadores que foram detidos temporariamente estavam o advogado e ex-assessor do presidente, José Yunes, assim como o coronel João Baptista Lima Filho, outro amigo pessoal de Temer. Colega de partido e ex-ministro da Agricultura, Wagner Rossi também foi detido na operação, ao lado de seu assessor Milton Ortolan e de Antônio Celso Grecco, dono da Rodrimar S/A, empresa acusada de ter pago propina para conquistar benefícios portuários através do decreto assinado por Temer.

Homem forte de Temer, o ex-deputado Rodrigo Rocha Loures, também envolvido no escândalo da JBS, também teria atuado no esquema do decreto dos portos, servindo como ponte entre as negociações entre os empresários e pessoas próximas ao presidente. A informação foi revelada pelo ex-executivo da J&F, controladora da JBS, Ricardo Saudi, em sua delação à Justiça. O ex-deputado ficou famoso ao ser flagrado com uma mala com R$ 500 mil em espécie oriunda de propinas da JBS.

Marun sai em defesa de Temer e critica Operação Skala: “excesso de autoritarismo”

Uma das principais figuras defensoras do governo Temer, o ministro-chefe da Secretaria de Governo, Carlos Marun, voltou a disparar contra a ação que prendeu aliados de Temer.

Em entrevista à rádio CBN na manhã desta terça-feira, dia 3, Marun afirmou que a Operação Skala foi um “excesso de autoritarismo”.

O ministro chegou a comparar a atual operação da PF à ação da Polícia Militar contra estudantes da UNE (União Nacional dos Estudantes) em Ibiúna, em 1968. Na ocasião, a polícia que atuava durante o período da Ditadura Militar prendeu mais de mil estudantes que se reuniam para o 30º Congresso da UNE.

“Desde o Congresso da UNE em Ibiúna não se prende tanta gente simplesmente para ouvir depoimentos”, disparou Marun, afirmando esperar que as ações da Operação Skala não sejam “um símbolo de endurecimento e de um novo surto de autoritarismo”, como em 1968.

O ministro também disparou contra a PGR e contra o Supremo Tribunal Federal (STF), cujo relator do processo, ministro Luís Barroso, autorizou as prisões temporárias para interrogatório. Para Marun, Barroso “exacerbou as atribuições de sua função” quando pediu a quebra do sigilo bancário de Temer. O ministro afirmou que irá pedir o impeachment de Barroso do cargo.

O ministro também comparou as investigações contra Temer a um "assassinato sem cadáver”, afirmando que os responsáveis “tentam voltar no tempo e abrir sepulturas para tentar encontrar alguma coisa”.