A greve dos caminhoneiros [VIDEO]iniciada no dia 21 causou e ainda está causando grandes problemas ao Governo. Naturalmente impopular, a paralisação que atingiu praticamente todos os setores do País fez com que a imagem de Michel Temer [VIDEO] ficasse ainda mais manchada. No domingo (27) à noite, quando foi anunciar as medidas que tomara em acordo com os caminhoneiros, pode se ouvir um panelaço - daqueles tradicionais durante o impeachment da presidente Dilma Rousseff. Apesar de algumas declarações tentarem transformar a greve como se fosse de infiltrados de oposição ao governo, percebeu-se, majoritariamente, uma revolta popular.

Segundo especialistas ouvidos pelo UOL, o governo cometeu diversos erros durante as negociações com os caminhoneiros para encerrar a greve.

Também tentaram explicar porquê as manifestações ainda estão ocorrendo, mesmo após algumas reivindicações serem atendidas e concessões feitas.

Veja a seguir os erros do governo

Ignorou força dos caminhoneiros

O Planalto foi avisado pela Associação Brasileira dos Caminhoneiros (Abcam) que iria haver uma paralisação a partir da segunda-feira da semana passada para protestar contra os aumentos constantes do diesel. O governo não deu a mínima para o aviso dos caminhoneiros.

Segundo Jaci Leite, da FGV, a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) cometeu um báciso, pois não esperava tanta adesão e impacto na vida do brasileiro.

Reação lenta do governo

O primeiro movimento do Planalto para tentar negociar com os grevistas só aconteceu no terceiro dia de paralisação. Naquele momento, a crise de abastecimento já estava começando a atingir alguns setores.

O que acabou se tornando uma bola de neve e fez a economia brasileira perder bilhões de reais.

Carlos Melo, cientista político do Insper, disse que quando o governo resolveu agir, a greve já tinha ganho proporção nacional e simpatia de boa parte da população.

Governo entrou fraco na negociação

Jaci Leite, da FGV, questionou que em nenhum País sério do mundo um governo deixa as estradas serem obstruídas do jeito que aconteceu aqui no Brasil sem tomar nenhuma medida mais enérgica. Carlos Melo apontou que o governo errou na ordem da negociação. Primeiro, era preciso solicitar a desobstrução das estradas, depois sentar à mesa para negociar. Ainda disse que foi um erro acionar as Forças Armadas sem antes consultar os governadores dos estados.

Errou com quem negociar

Quando sentou para negociar no dia 24, quinta-feira da semana passada, o governo acreditou que encerraria a greve. O problema é que o Planalto chamou as pessoas erradas para conversar. Logo ficou claro que os representantes que estiveram com Temer não representavam a maioria grevista.

Não esperou liberação das estradas

O acordo foi publicado no Diário Oficial da União antes mesmo das estradas serem desobstruídas. Isso fez com que o governo não tivesse nenhuma contrapartida após as negociações. Um erro básico de negociação.

Insatisfação em outros grupos

Ao baixar o preço do diesel para caminhoneiros, o governo causou insatisfação com outros setores que também trabalham com transporte. Motoboys a vans também paralisaram suas atividades como forma de apoio os motoqueiros. Após os 60 dias determinados pelo Planalto sem reajusta nos preços, o setor de transportes ainda causará problemas a Temer

Petrobras

O governo tentou mostrar ao mercado que não estava interferindo nas decisões da Petrobras - essa é a nova política aplicada na estatal pelo governo Temer.

Carlos Melo argumentou que o governo errou com todos; Petrobras, com o povo, caminhoneiros e o próprio governo.