O presidente da República Michel Temer esbanja uma sensação de alívio e de dever cumprido ao avaliar os seus dois anos de governo, completados nesta semana. Embora tenha os índices de aprovação mais baixos entre os presidentes desde a redemocratização, o peemedebista avalia como positiva a sua gestão e disse, em evento nesta terça-feira (15), que tirou o Brasil "do vermelho".

Só pelo nome do evento em que Temer fez suas ponderações já dá para se tirar uma base do otimismo do governo federal. Alcunhado de "Maio/2016 - Maio/2018: O Brasil voltou", o governo Temer enalteceu suas ações sobretudo na economia, apresentando indicadores que demonstram que o país melhorou neste aspecto.

Nesta terça-feira, Temer discursou para uma plateia formada por aliados políticos como ministros, ex-ministros, governadores, parlamentares e presidentes de entidades ligadas ao governo. A este público, o presidente vibrou com ações econômicas que, segundo ele, reduziram a recessão e possibilitaram avanços em setores sensíveis historicamente como segurança pública e educação.

"Eu acredito que nós avançamos bastante em muitas áreas nesses 24 meses que estamos trabalhando. Mas diante de vocês, os meus colegas de trabalho, eu queria fazer uma reflexão. Sinto-me completamente responsável e assumo as escolhas que eu fiz. Foram sempre pensando em um Brasil melhor", garantiu Temer.

Em outro trecho de sua fala, o presidente comemorou alguns indicadores econômicos relacionados à recessão. Ele acredita que a sua gestão foi a responsável direta por tirar o Brasil [VIDEO] do "vermelho" - uma expressão usada no dia a dia para relatar situações de profunda crise financeira.

"Nós somos responsáveis e portanto orgulhosos por termos tirado o Brasil da pior recessão de toda a sua história. Havia uma inflação de 10% quando pegamos o governo e agora baixamos para 3%. Nós fomos responsáveis por tirar o Brasil do vermelho e recolocar o nosso país em um caminho correto", disse.

Temer também teceu comentários sobre a Petrobras, alvo de muitas críticas e escândalos por conta dos recentes casos de corrupção e desvio de verbas público. Segundo o presidente, o atual governo "salvou" a Petrobras. "Ela acabou de gerar R$ 7 bilhões de lucro no primeiro semestre de 2018", revelou Temer sobre a empresa.

Reformas, denúncias e 2 anos de cargo

Outros pontos defendidos por ele como legado de governo foram as reformas trabalhistas, do Ensino Médio e também o teto para gastos públicos. Temer garantiu que o Palácio do Planalto não "abandonou" a Reforma da Previdência, que já foi enviada ao Congresso Nacional, mas que ficou parada na Câmara dos Deputados.

Dos aspectos negativos, Temer optou por não sublinhar comentários.

Ele não fez referência às duas denúncias que recebeu ao longo dos dois anos e que foram barradas no plenário da Câmara. O presidente da mesma forma não comentou sobre a Operação Lava-Jato, ao contrário de quando assumiu o cargo, quando fez elogios às investigações.

Michel Temer ocupa a cadeira mais importante do Executivo brasileiro desde maio de 2016. Na ocasião, assumiu interinamente o governo em decorrência do afastamento da petista Dilma Rousseff, que estava sendo investigada por meio de um processo de impeachment por questões contábeis de governo - "pedaladas fiscais" e edição de decretos sem apreciação do Congresso.

Temer, que era o vice da chapa de Dilma nas eleições de 2014, já havia rompido com a presidente antes mesmoa desse afastamento. O impeachment da petista [VIDEO] foi consumado em agosto de 2016 no Senado Federal e, a partir de então, Temer tornou-se oficialmente o presidente da República.