A presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Cármen Lúcia, terá um novo desafio pela frente. Pressionada há bastante tempo para que paute no STF as Ações Diretas de Constitucionalidade (ADCs), ela tem suportado e enfrentado seus colegas de tribunal com muita determinação e garra. Porém um ministro pode estar usando um "pequeno disfarce" dentro da Corte e a qualquer momento dar um verdadeiro golpe baixo na Operação Lava Jato.

Alexandre de Moraes, que tem recebido muitos petistas em seu gabinete nas últimas semanas, poderia estar usando, segundo "O Antagonista", um jogo duplo para poder livrar muitos corruptos da cadeia.

Ele exige que a ministra [VIDEO] paute a ADC que visa tirar da cadeia todos os condenados que foram presos por determinação da segunda instância.

Conforme as informações, ele garantiu aos seus interlocutores que a medida será aprovada pelo plenário do STF. O estranho nisso tudo é que, dessa forma, Moraes está beneficiando o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, apesar de ter votado a favor de sua prisão.

Não se sabe o que se passa na cabeça do ministro e onde ele quer chegar. Uma coisa é certa: ele está criando uma nova pressão a Cármen Lúcia [VIDEO].

Tema polêmico

Essa discussão sobre a prisão após condenação em segunda instância tem ficado em evidência, principalmente após a prisão de Lula.

Segundo informações da jornal "A Gazeta do Povo", é geral o entendimento de que, se julgar as ADCs, o entendimento da Corte pode ser alterado beneficiando Lula e muitos outros condenados pela Lava Jato, e não só os de corrupção, mas também pode liberar muitos bandidos, como traficantes, pedófilos e estupradores.

A ministra Rosa Weber tem defendido a tese de que o Supremo não deve mudar a jurisprudência decidida em 2016, onde a prisão em segunda instância é permitida. Mas, se for para o Plenário, é quase certeza que ela vote contra esse mecanismo.

O ministro Marco Aurélio já havia informado no dia 23 de abril que as ADCs estão prontas para serem votadas, mas ele mesmo acabou pisando no freio diante das críticas que o Supremo recebeu caso volte nesse assunto. Cármen Lúcia vai se segurando o quanto pode.

Pesquisa

De acordo com uma pesquisa do Instituto Paraná, e que foi divulgado pela revista Veja, sete em cada dez brasileiros apoiam a prisão após sentença em segunda instância. Apenas 23,8% são contrários.

O juiz federal Sérgio Moro defende que o entendimento da Corte não mude para que não prejudique as investigações.