A procuradora-geral da República [VIDEO]Raquel Dodge se manifestou nesta última terça-feira, 15 de maio, sobre a investigação envolvendo o procurador do Ministério Público Federal e membro da força-tarefa das operações da Lava Jato, Carlos Fernando dos Santos Lima.

Um processo disciplinar foi aberto contra o procurador devido às críticas ao presidente da República Michel Temer. O procurador utilizou sua rede social e atribuiu que Temer é ''leviano, inconsequente e calunioso''. O caso aconteceu em 2017, porém só agora resolveram abrir processo contra Carlos Lima.

O que chama atenção é que a ação seria um claro recado a todos os outros procuradores da Lava Jato.

Isto estaria colocando pressão para que os servidores não se manifestem publicamente a respeito de suas opiniões políticas, e estão chamando de ''mordaça à Lava Jato''.

Raquel Dodge afirmou durante o Conselho Nacional do Ministério Público que o processo contra Carlos Fernando Lima é uma censura prévia. A chefe do MPF afirmou que se uma democracia coloca uma censura prévia e extermina o direito de crítica, isto acaba tirando o crédito da democracia liberal. Dodge afirmou que o Conselho Nacional deveria seguir forte em afirmar a democracia, não o contrário.

O corregedor Orlando Rochadel Moreira chegou a dar um alerta para Carlos Lima a respeito de suas manifestações. No entanto, o processo foi aberto. Moreira afirmou que o procurador não fez jus a guardar o decoro pessoal, utilizando expressões não apropriadas.

A corregedoria poderá aplicar a sanção de censura.

Mesmo estando em um processo [VIDEO]disciplinar, Carlos Fernando não deixou de emitir suas opiniões através das redes sociais. Em outra ocasião, o procurador criticou o fato de Michel Temer utilizar recursos vindos Caixa Econômica Federal para oferecer empréstimos aos Estados.

Além de criticar Temer, Carlos Fernando é um grande crítico do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso no dia 7 de abril. Em uma de suas falas polêmicas, o membro da força-tarefa da Lava Jato avaliou que a Justiça deveria prender Lula naquele exato momento, para enfatizar que ninguém está acima da Lei e que ele não é mais importante que outros criminosos.

A Lava Jato emitiu uma nota de preocupação com o processo disciplinar do procurador. A equipe afirmou que garantias fundamentais do cidadão foram colocadas em risco, assim como o exercício independente da função ministerial.