O juiz federal Sérgio Moro, responsável pelas ações da Operação Lava Jato no Paraná, abriu o jogo durante uma entrevista aos jornalistas da revista digital Crusoé. Ele foi questionado sobre diversos pontos polêmicos das ações, incluindo o dia da prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), algo que ficou marcado historicamente no Brasil, sendo, pela primeira vez, um ex-presidente condenado por crime comum.

Sergio Moro contou que em nenhum momento se sentiu desafiado com Lula e nem sua defesa. O juiz disse que apenas está fazendo seu trabalho dentro da lei e é comum haver críticas e elogios durante o processo. Moro enfatiza que ''não era uma questão de mostrar quem era mais forte, mas de agir com sabedoria''.

Em um tom de desabafo, o juiz da 13ª Vara Federal de Curitiba evidencia que a sua maior decepção decorrente as investigações [VIDEO]da Lava Jato foi ter sido mencionado como um juiz parcial e seletivo. Moro diz que está agindo conforme a lei e esses comentários podem fazer uma manipulação da opinião pública, desqualificando seu trabalho. ''Eu acho injusta as críticas de que o meu trabalho seria seletivo. Isso eu acho injusto'', rebateu o juiz.

O magistrado também citou que houve uma grande carga em cima da 13° Vara Federal de Curitiba, sendo que não tem jurisdição universal e eles não têm acesso a todos os processos, além de pessoas tentarem colocar responsabilidade em inquéritos que nem estão em suas mãos.

Tensão na Lava Jato

Na entrevista, Moro comentou sobre momento de tensão na Lava Jato. [VIDEO] Na época do ex-ministro Teori Zavascki, que acabou falecendo decorrente da queda de um avião, Moro disse que lembra o fato do então membro do STF (Supremo Tribunal Federal) tentar soltar todos os presos da Lava Jato, incluindo Alberto Yousseff (doleiro) e Paulo Roberto Costa (ex-diretor da Petrobras).

Para Moro, este foi um momento tenso. Entretanto, Zavascki analisou mais uma vez e desistiu de soltar os acusados.

A soltura dos condenados poderia fazer com que diversas provas fossem destruídas, prejudicando todo o decorrer das investigações. Outro momento tenso foi a audiência pública sobre a Petrobras, em que o juiz avaliou que este seria um caminho sem volta devido à profundidade de crimes praticados na estatal.

Sergio Moro diz que seu desejo é aprimorar o estudos e ficar fora do Brasil por um tempo devido ao desgastante trabalho. O juiz quer abandonar os julgamentos. Enquanto isso não é possível acontecer, a Lava Jato segue firme no decorrer deste ano.