No último sábado, dia 12, o presidente da República, Michel Temer (MDB) completou dois anos [VIDEO] à frente do cargo executivo mais importante da nação. Para celebrar a marca, o criticado Temer e seu partido bolaram um evento que será realizado nesta terça-feira, dia 15, onde autoridades ouvirão elogios do próprio governo sobre a gestão do MDB, no poder desde 2016, quando Dilma Rousseff (PT) sofreu o impeachment.

Mas a tentativa de defender o legado emedebista, que deve deixar o Planalto ao fim deste ano, – ainda mantendo esperanças na candidatura de Henrique Meirelles para continuar no controle da Presidência – virou um tiro na culatra para o partido e para Temer.

Isso porque o slogan escolhido para o evento em que a cartilha com os projetos realizados pelo governo nos últimos dois anos será apresentada acabou virando piada na internet e até mesmo nos bastidores de Brasília devido à interpretação dúbia da frase. Com o lema “O Brasil voltou, 20 anos em 2”, o MDB pretendia fazer uma alusão ao governo de Juscelino Kubitschek, que governou o Brasil na segunda metade anos de 1950 e cravou o slogan “50 anos em 5”.

No entanto, a frase escolhida pelo marqueteiro do partido, Elsinho Mouco, foi fortemente criticada e ironizada por dar a impressão de que o Brasil estaria regredindo vinte anos em dois de governo Temer. O slogan estava estampada no convite enviado às autoridades para o evento desta terça-feira.

A repercussão negativa da frase gerou tensão no Planalto, e Temer chegou a se reunir com Mouco nesta segunda-feira, dia 17.

Oficialmente, fontes do Planalto dizem que o marqueteiro visitou Temer para debater sobre o discurso que será feito no evento desta terça.

Em artigo,Temer defende seu governo e diz que brasileiros podem “continuar no caminho certo”

Enquanto volta a ser alvo de críticas pelo eleitorado, Temer sinaliza que não deverá manter seu sonho de se candidatar à reeleição. Com uma popularidade extremamente baixa, o presidente tem se ocupado em defender o legado do seu governo e tentar impulsionar a candidatura de Meirelles, que pode continuar com o projeto do MDB na presidência.

Recentemente, Temer também tentou costurar uma aliança com o candidato Geraldo Alckmin (PSDB), buscando criar uma frente de centro-direita, mas a proposta não agradou ao tucanato, que não quer ficar colado à imagem impopular de Temer. Além disso, o presidente também enfrenta uma corrente interna do MDB que quer a reaproximação com o PT e setores da esquerda.

Enquanto tenta melhorar sua combalida imagem e vislumbrar um futuro político mais animador do que o atual, Temer continua defendendo seu governo com unhas e dentes.

Em um longo artigo publicado no último sábado, dia 12, para o jornal Folha de S. Paulo, o presidente voltou a afirmar que seu governo recuperou a economia do país, controlando a inflação e o desemprego. Temer creditou à sua gestão melhoras em programas sociais como o Bolsa Família, afirmando também ter sido o responsável por encarar “pela primeira vez” o problema da segurança pública no país, em uma referência à criação do Ministério da Segurança Pública e à intervenção federal no Rio de Janeiro.

Apesar do governo ter afirmado que o slogan que virou piada nas redes sociais não estava incluso no programa de governo enviado à equipe responsável pelo cerimonial do evento desta terça, Temer usou a mesma frase no texto publicado no diário paulistano. “Os resultados estão aí, os números falam mais alto”, escreveu Temer. “Fizemos em dois anos o que outros não fizeram em 20 anos”.

Além do artigo publicado na Folha de S. Paulo, Temer também utilizou suas redes sociais para celebrar o aniversário de dois anos de seu governo e defender suas medidas. Em sua conta oficial no Twitter, o presidente afirmou ter tido "a coragem" de realizar a reforma do ensino médio, entre outras demandas. Sem humildade, Temer afirmou que sua missão ao assumir o governo era "retirar o país da sua mais grave recessão, estancar o desemprego, recuperar a responsabilidade fiscal e manter os programas sociais". Segundo ele, "tudo isso foi feito".