A senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) completará no próximo dia 3 de junho um ano à frente do PT [VIDEO]. Neste meio tempo, a petista já teve que lidar com a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva [VIDEO], uma das maiores crises na história do partido, e no momento tem que traçar estratégias para as Eleições do final do ano, sem saber se poderá contar com a presença de Lula no pleito.

Hoffmann também está lidando com pressões internar de petistas que desejam acelerar a discussão de um plano B, caso o ex-presidente Lula não possa mesmo ser o candidato do partido à Presidência da República. Segundo matéria da Folha de S.

Paulo, em conversa com aliado há duas semanas, a senadora criticou os correligionários que lhe pressionam e questionou se eles não percebem que tudo o que acontece e é definido como estratégia é combinado com Lula. A presidente nacional do PT defende de forma veemente o nome único de Lula como candidato petista, o que está causando um certo desconforto internamente.

Ao ser preso em abril, o ex-presidente Lula confiou a Gleisi Hoffmann a função de sua porta-voz enquanto estivesse encarcerado. Ele acreditava que a senadora é capaz de manter acesa a chama de sua candidatura, já que ele está enclausurado e podia correr o risco de ficar fora das discussões e ser esquecido.

Cenário regional

Governadores petistas estão mais preocupados com suas situações do que com Lula. Alguns governadores, como o do Ceará, Camilo Santana (PT), já declararam que querem que o PT anuncie apoio a algum candidato de outro partido.

Os governadores acreditam que assim a vida deles será mais fácil, pois enfim poderão negociar com suas bases aliadas e traçar estratégias para as campanhas. Nas últimas semanas, houve até declarações de governadores petistas sugerindo que o partido se aliasse com o PDT em torno da candidatura de Ciro Gomes.

Gleisi é totalmente contra essa pressão sofrida. Segundo ela, entende o momento dos governadores, mas acredita que caso o PT resolvesse apoiar outro candidato ou anunciar um plano B, o partido teria muito a perder. A senadora acredita que haveria uma crise sem precedentes na história do Partido dos Trabalhadores, já que não existe um nome no quadro petista capaz de unificar o partido, além de Lula.

Sobre a sugestão de apoio a Ciro Gomes, Gleisi respondeu a uma declaração de Jaques Wagner, governador petista da Bahia.

"Ele [Wagner] não sabe que o Ciro não passa no PT nem com reza braba?", questionou.

Lula havia autorizado a conversa com outros partidos, inclusive com o PDT, porém, quando percebeu que estava esquentando a possibilidade de uma aproximação, voltou atrás e informou isso a Gleisi.

Na última semana, a presidente nacional do PT conversou com um grupo de governadores e passou os argumentos dados pelo ex-presidente da República.

Prioridades

Líderes estaduais consideram o posicionamento da presidente nacional do PT muito inflexível. Ela é considerada como uma barreira para acordos regionais de governadores petistas. Por exemplo, em Pernambuco, entre PT e PSB; e no Ceará, entre PT e MDB. Como os possíveis aliados não sabem quem será o candidato apoiado pelo PT, não fecham acordo. Gleisi insiste que Lula é prioridade.

A senadora já deixou claro que o apoio petista virá apenas, eventualmente, em um segundo turno. Segundo ela, uma aliança no primeiro turno passa obrigatoriamente por Lula como cabeça de chapa. Gleisi ainda declarou que esse impasse irá se estender até setembro, cerca de um mês das eleições, pois provavelmente a candidatura de Lula será questionada, devido a Lei da Ficha Limpa. Até lá, o PT viverá essa incerteza.