A greve dos caminhoneiros [VIDEO] que se iniciou segunda-feira (21) já fez a economia perder ao menos R$ 10,2 bilhões, segundo as estimativas de alguns setores. A informação foi passada pela Folha de S. Paulo neste domingo (27). A expectativa é que esse número cresça ainda mais, quando for possível mensurar com exatidão o rombo que a paralisação vai deixar. Para se ter uma ideia, a perda até agora é mais do que o dobro do que o governo terá que desembolsar para cobrir as perdas da Petrobras ao reduzir o preço do diesel e suspender os ajustes diários.

No setor de construção, o presidente da Câmara Brasileira da Industria da Construção (CBIC), João Carlos Martins, estima que as perdas equivalem a R$ 2,4 bilhões, apenas nesta primeira semana.

Já na indústria de frangos e suínos, o valor comprometido é cerca de R$ 1,8 bilhão, segundo o vice-presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin.

Já Antônio Camardelli, presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), informou que o prejuízo no setor chega a R$ 620 milhões. Esse número equivale apenas a carne que não foi exportada. O setor ainda está mensurando a quantidade de carne que apodreceu, o que fará o rombo aumentar mais ainda, segundo a Folha de S. Paulo.

A Confederação da Agropecuária (CNA) estima que cerca de R$ 1,1 bilhão foi o prejuízo dos produtores de leite em apenas cinco dias de greve. A CNA ainda informou que são produzidos cerca de 95 milhões de litros de leite no Brasil por dia, os quais estão sendo descartados diariamente.

O presidente do Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos (Sindusfarma), Nelson Mussolini, informou que o setor já deixou de arrecadar nessa semana o equivalente a R$ 1 bilhão. Já a Associação da Industria Automotiva (Anfavea) perdeu mais R$ 1,3 bilhão. Todas as fábricas do setor paralisaram na quinta-feira (24).

Caos político

Líderes de oposição aproveitaram o cenário caótico que o País vive para criticar o modo como o governo Michel Temer está lidando com a greve dos caminhoneiros e suas consequências. O Planalto decidiu acionar as Forças Armadas através do decreto da Garantia da Lei e da Ordem (GLO), que determina o uso da força militar. Em um manifesto assinado por seis oposicionistas, é sugerido que se Michel Temer não é capaz de governar, deveria renunciar ao cargo.

Os deputados federais afirmam que a GLO deixa o Brasil a beira de um "regime de exceção". Segundo eles, o documento editado por Temer não é específico e, "novamente", deixa em aberto o uso da força contra qualquer cidadão.

“Mesmo um governo fraco e sem credibilidade como o do presidente Michel Temer poderia encontrar uma saída, se tivesse algum respeito pelo povo brasileiro”, diz a nota.

Os deputados que assinaram a carta contra Michel Temer foram: André Figueiredo (PDT-CE), José Guimarães (PT-CE), Julio Delgado (PSB-MG), Orlando Silva (PC do B-SP), Paulo Pimenta (PT-RS) e Weverton Rocha (PDT-MA).

Investigação

A Polícia Federal abriu 37 inquéritos em 25 estados para investigar se houve apoio de empresários na greve dos caminhoneiros que está conturbando o dia a dia no País. O chamado locaute [VIDEO]é considerado crime no Brasil.

Em entrevista no último sábado (26), o ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, não deu maiores detalhes, mas disse que já podem ter ocorrido prisões.

“Temos comprovado seguramente que essa paralisação, em parte teve desde o início, a promoção e o apoio criminoso de proprietários, patrões de empresas transportadoras que podem ter certeza, irão pagar por isso”, afirmou.

Caso seja comprovado o locaute, o ato ilegal pode ser punido com prisão e multa.