O juiz Sérgio Moro, titular da 13ª Vara Criminal de Curitiba e condutor da Lava Jato (maior operação contra a corrupção no país), resolveu rapidamente suspender nesta última sexta-feira (25/5) a audiência referente à ação penal que abordará as reformas ocorridas no Sítio de Atibaia, em São Paulo, em decorrência da greve dos caminhoneiros. [VIDEO] Entre os réus está o ex-presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva [VIDEO], que responderá como suposto proprietário do imóvel.

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Marcada para a próxima segunda-feira (28/5), a ação penal deveria contar com a presença de várias pessoas do alto escalão para prestarem depoimento pessoal, inclusive o próprio ex-presidente Lula deveria comparecer em juízo.

No entanto, em decorrência das grandes manifestações, com fechamentos de estradas e rodovias pelo movimento, o juiz Moro achou por bem suspender a primeira audiência do Sítio em Santa Bárbara, para evitar possíveis embaraços.

O magistrado foi categórico em ressaltou que realmente havia depoimentos marcados para a manhã e à tarde da segunda-feira, porém a Justiça Federal da capital paranaense decretou o cancelamento do expediente em decorrência do movimento grevista. Moro destacou em despacho a importância das reivindicações da categoria, expressou respeitando, todavia, deixou a legitimidade da paralisação para ser apreciada pelas autoridades competentes.

Entretanto, em contrapartida, o juiz argumentou [VIDEO] sobre a dificuldade da continuidade dos trabalhos com a greve e se, por ventura, ocorrer um prolongamento exagerado da paralisação associado aos bloqueios de estradas e rodovias, consequentemente acarretará sérios problemas aos brasileiros, com prejuízos talvez irreparáveis, como por exemplo, o bloqueio de serviços essenciais: polícia ostensiva, corpo de bombeiros ou ambulâncias.

Também há preocupação com os desabastecimentos de medicamentos, alimentos, combustíveis dentre outras produtos prioritários como a prestação de Justiça.

No entanto, ao suspender a audiência o juiz presumiu que todos os envolvidos sejam coerentes e usem o bom-senso para enfrentar situações momentâneas, pois até que se estabeleça a ordem por completo, uma vez que, o movimento grevista [VIDEO]influenciou praticamente na vida dos cidadãos nos últimos dias, inclusive na escala do expediente da Justiça Federal de Curitiba, as atitudes seguintes devem ser cautelosas para que não haja episódios vinculados à violência.

Moro comunicou que um novo despacho deverá ser proferido após os ânimos acalmarem e naturalmente, as novas datas das audiências suspensas serão publicadas e os envolvidos, fará jus à citação.

Por fim, esclareceu ainda que o caso relacionado ao sítio foi responsável pela terceira ação contra o ex-presidente Lula na Lava Jato. Segundo as alegações, as construtoras OAS, Odebrecht e Schahin, por intermédio do pecuarista amigo de Lula, José Carlos Bumlai, aplicaram cerca de R$ 1,02 milhão em obras na propriedade em troca de contratos ilícitos junto a Petrobras.

O bem foi adquirido em 2010, pelos amigos empresários Jonas Suassuna e Fernando Bittar, logo quando o petista deixava o cargo de Presidente da República. O ex-presidente afirmou que jamais recebeu vantagens indevidas (propina) das empreiteiras.