Durante a Greve dos caminhoneiros, o governo do presidente da República, Michel Temer, acionou as Forças Armadas para conter o caos da categoria. Devido à greve, os postos de combustíveis ficaram sem abastecimento, mercados com falta de produtos, e hospitais passaram por algumas dificuldades.

Temer foi surpreendido pela paralisação dos caminhoneiros e as tentativas em acordos tiveram grandes dificuldades. Para tentar colocar ordem no país, o presidente pediu ajuda das Forças Armadas [VIDEO]. No entanto, segundo informações do portal ''Folha de S.Paulo'', uma conversa reservada entre a cúpula dos militares revelou insatisfação com o posicionamento do governo perante a grave situação.

O descontentamento dos militares se deu pela mudança no decreto que envolve a desobstrução de vias envolvendo as Forças Armadas e depois o governo agindo para coibir ações consideradas mais fortes. Os militares chegaram na conclusão de que, no princípio, Temer pediu ''socorro'' à instituição, porém, logo em seguida, pediu para as tropas não abordarem diretamente os caminhoneiros, contradizendo-se. Dessa forma, as Forças Armadas afirmam que isso serviu apenas para que o Exército fosse exposto, sem necessidade.

Não foram apenas os militares que se irritaram com a decisão do Palácio do Planalto. No Judiciário e no Congresso Nacional também houve reclamações. A decisão de Michel Temes acabou levando preocupação ao governo, foi sinalizado que poderia haver manifestações na rua pelos populares, então tentaram voltar atrás o mais rápido possível.

A greve dos caminhoneiros foi apoiada por parte da população. Um fato que chamou atenção foram pedidos de intervenção militar. Segundo entrevista com o general Augusto Heleno, concedida à ''Folha de S. Paulo'', as Forças Armadas sentiram-se lisonjeadas pelos comentários, no entanto enfatizam que não há nenhum risco de intervenção e que o caminho é através das eleições presidenciais deste ano.

Augusto Heleno [VIDEO] explicou que a atual geração de militares não clama por uma intervenção. No momento, os militares percebem que a possibilidade de uma ação não seria a melhor opção. Os pedidos de intervenção, segundo o general, acontecem porque há uma ideia de que as Forças Armadas conseguem colocar ordem na casa.

As investigações da Operação Lava Jato e inúmeros fatores envolvendo políticos e empresários mostram grande revolta na população brasileira. Com isso, há quem peça atuação dos militares como uma tentativa de amenizar os problemas.