O Ministério Público Federal (MPF) viu omissão do juiz federal Sérgio Moro na sentença de 9 anos e dez meses do ex-tesoureiro do PT, Paulo Adalberto Alves Ferreira. Para o MPF, Moro não acrescentou em sua decisão o crime de corrupção passiva cometido pelo ex-tesoureiro.

Ao receber a reclamação, quem ficou mesmo bronqueado com tudo isso foi o juiz. Ele rejeitou a reclamação do MPF e afirmou que na denúncia feita pela força-tarefa contra Paulo Adalberto, não consta, em nenhum ponto, o crime de corrupção passiva. Na denúncia, o magistrado afirmou que só teve os crimes de lavagem de dinheiro e associação criminosa.

Segundo o juiz, o MPF acabou cometendo um erro na análise da denúncia.

Isso poderia acarretar anulações judiciais, declarou o juiz.

Moro ressaltou que o MPF não pode afirmar que houve omissão da parte do juízo, pois pode favorecer uma ação da defesa diante de um caso concreto de corrupção. O juiz reiterou que, na verdade, houve omissão e obscuridade na denúncia feita e ela precisa ser sempre clara quanto às imputações. Caso contrário pode ocorrer nulidade ou até mesmo atrapalhar a ampla defesa.

Condenação

O juiz Sérgio Moro [VIDEO]condenou, no dia 13 de maio, 13 réus por irregularidades na ampliação do Cenpes (Centro de Pesquisas da Petrobras). Conforme a denúncia, foram feitos pagamentos de mais de R$ 20 milhões em propina.

De acordo com a denúncia, o consórcio Novo Cenpes venceu a licitação junto à Petrobras. Porém, tudo foi uma fraude. Foram feitos pagamentos de vantagens indevidas a executivos da estatal e políticos.

O PT teria sido um dos beneficiadores de boa parte dessa propina e Paulo Ferreira estaria envolvido nessas irregularidades.

Ele também teria recebido R$ 10 milhões juntamente com outros aliados. Ele foi tesoureiro do PT entre os anos de 2005 e 2010, antecedendo João Vaccari Neto.

Atos irregulares

Ferreira teria cometido vários atos irregulares e que foram colocados na denúncia. Até uma escola de samba foi citada. Ferreira teria repassado dinheiro ilícito à escola e à madrinha de bateria.

Outro ponto da denúncia fala das vantagens concedidas para o advogado e ex-deputado estadual pelo PT, Júlio Garcia.

Na sentença, Moro [VIDEO] havia mencionado que não precisava fazer um rastreamento para confirmar que os valores foram repassados para agentes públicos e vieram dos cofres da Petrobras.

Todos esses episódios de corrupção vieram à tona com a deflagração da 31° fase da Operação Lava Jato, batizada de "Abismo".