Marina Silva, pré-candidata à Presidência da República pela Rede Sustentabilidade, foi sabatinada pelo UOL, Folha de S. Paulo e SBT na manhã desta quinta-feira (24). A ex-senadora e ex-ministra do governo Lula falou sobre eleição, greve dos caminhoneiros e seu plano de governo, caso vença o pleito presidencial deste ano. Marina ocupa o segundo lugar das pesquisas de intenção de voto, atrás de Bolsonaro [VIDEO], em cenários sem Lula, e estaria indo para o segundo turno. Segundo a última amostragem divulgada pelo Datafolha, a representante da Rede bateria o deputado extremista na disputa direta.

Ao ser questionada sobre a possibilidade do ex-presidente Lula participar da corrida eleitoral, Marina foi firme: "A lei deveria ser cumprida.

Em uma democracia, não se pode mudar lei em função de uma pessoa", disse. E concluiu dizendo que: "Há uma mania de se fulanizar as leis. Não se pode fulanizá-las – a lei não pode se adaptar às pessoas, elas que têm que se adaptar às leis".

Marina Silva ainda afirmou que os eleitores são donos dos próprios votos, que os candidatos não podem achar que são proprietários do eleitorado. Disse ainda que seu discurso é o mesmo, independente de quem se trata e em qual cenário, não faz adaptações dependendo da circunstância. A pré-candidata da Rede Sustentabilidade também disse que não é do seu feitio ficar tripudiando de pessoas que estão pagando na Justiça pelos seus atos. Afirmou que não fica feliz vendo diversas lideranças de grandes partidos brasileiros envolvidos em crimes de corrupção, mas ponderou: "quem cometeu erro, deve pagar por isso".

Ao ser questionada se poderia fazer uma aliança com o PT, partido o qual foi filiada até 2009, a ex-senadora afirmou que tem um grande respeito pelos eleitores da sigla, porém, sua candidatura é "independente". Ainda finalizou dizendo que sua independência vem sendo construída desde 2010, quando foi candidata pela primeira vez e derrota por Dilma Rousseff.

Vale destacar que, no segundo turno de 2014, quando Dilma disputava com Aécio, Marina anunciou apoio ao candidato tucano [VIDEO] e até participou de sua campanha politica. Hoje, Aécio é réu no Supremo Tribunal Federal, gravado pedindo dinheiro a empresário, afastado mais de uma vez do Senado Federal pelo STF e já teve irmã e primo presos.

Assista ao momento em que Marina anunciou voto em Aécio Neves:

Agora, assista a propaganda feita por Marina na campanha de Aécio:

"Aécio acende uma luz na escuridão dessa campanha eleitoral", disse ela.

A pré-candidata da Rede Sustentabilidade sugeriu que o Partido dos Trabalhadores faça uma autocrítica sobre os escândalos de corrupção envolvendo nomes fortes dentro da sigla.

Marina ainda falou que o discurso de que não sabiam mostra ou incompetência, ou conivência.

Propostas

A ex-ministra de Lula afirmou que é contra o armamento da população, pois não acha que o cidadão deve "fazer justiça com as próprias mãos". Marina disse que os governos federais esqueceram o tema segurança pública. E completou dizendo que a solução será a valorização das polícias e dos centros de inteligência.

Sobre a reforma da Previdência, Marina não apresentou nenhuma proposta, apenas disse que a idade mínima precisa ser debatida e que equiparar o trabalhador rural e urbano é "injustiça". Sobre a reforma proposta por Michel Temer, a pré-candidata classificou como "draconica".

A representante da Rede Sustentabilidade se mostrou favorável atrelar gastos públicos ao crescimento do PIB. Porém, disse que o projeto do teto de gastos aprovado pelo governo de Michel Temer "não é inteligente" e "não resolve o problema".