Há exatamente um ano, quando caia sobre o governo Michel Temer (MDB) a maior crise enfrentada até então, o presidente precisou usar de toda sua habilidade política para salvar seu fragilizado governo. Assim que surgiram as primeiras informações sobre a delação dos irmãos Joesley e Wesley Batista, da JBS, que implicavam o presidente no pagamento de propinas ao ex-deputado Eduardo Cunha, Temer agiu para evitar o dramático fim de sua administração. As informações são do colunista Bruno Boghossian, do jornal Folha de S. Paulo.

Enquanto ministros se reuniam na casa de Rodrigo Maia (DEM-RJ) e cinco partidos se articulavam para abandonar o governo, Temer corria contra o tempo.

Com a expertise de quem comandou a Câmara dos Deputados e experiência em conchavos políticos, Temer tentou acalmar os aliados. Segundo uma fonte próxima ao presidente, uma atitude menos enérgica ou mais demorada do presidente teria resultado no fim do apoio parlamentar e na inevitável renúncia de Temer.

Com pedido de demissão de três ministros em sua mesa e a ameaça de que outros se seguiriam, Temer afirmou que a frase “Tem que manter isso aí, viu?”, gravada por Joesley para indicar que o presidente apoiava pagamentos ao colega de partido, Eduardo Cunha, era na verdade uma aprovação a um apoio dado à família do ex-presidente da Câmara que ajudou a implodir o governo Dilma Rousseff (PT), cuja queda alçou o então vice Temer à cadeira mais importante do Planalto. Em público, Temer nunca admitiu ter apoiado qualquer pagamento a Cunha.

A segunda estratégia de Temer foi negociar vantagens aos ministros e partidos aliados. Com a decisão, Temer comprometeu seu governo, que se tornou refém das diversas negociatas armadas pelo presidente em seus dois anos de gestão. Com o acordo, Temer se manteve no cargo, mas perdeu a chance de realizar seu grande sonho político e aprovar a reforma da Previdência, fato que, segundo sua estratégia particular, o credenciaria à reeleição em 2018.

O emedebista ainda tentou mais uma cartada para salvar sua popularidade, que caiu em queda vertiginosa desde a revelação do escândalo e nunca mais se recuperou. Em conjunto com o governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão (MDB), Temer organizou a intervenção federal na segurança público do Estado e criou um novo ministério especialmente para lidar com a questão da segurança. A estratégia visava atrair eleitores mais conservadores e, aliada ao insistente discurso da recuperação econômica, viabilizar seu nome na corrida eleitoral.

A estratégia não surtiu efeito, e, a cinco meses da eleição, Temer já entrega os pontos. Agora, o presidente tenta pavimentar um acordo para o MDB ou impulsionar a candidatura de Henrique Meirelles [VIDEO] (MDB), tudo isso enquanto tenta se preparar juridicamente para enfrentar a avalanche de denúncias que surgirão após o fim de seu foro privilegiado, em 2019.