O vereador Toninho da Farmácia, da cidade de Pindamonhangaba, no interior de São Paulo, apresentou o requerimento que solicita ao Executivo municipal a construção de um museu em homenagem a Geraldo Alckmin. A proposta foi apresentada na sessão ordinária realizada na segunda-feira da semana passada (14) e foi prontamente aprovada.

Alckmin, ex-governador do estado de São Paulo que se afastou do cargo para concorrer à eleição presidencial em outubro, nasceu na cidade de Pindamonhangaba, no Vale do Paraíba.

Ele deu início a carreira política na cidade ao se eleger vereador pela primeira vez em 1972.

Aos 20 anos de idade, na eleição seguinte, realizada em 1976, o vereador concorreu ao cargo de prefeito e venceu, ao mesmo tempo em que cursava medicina na Universidade de Taubaté. Ele assumiu a prefeitura em 1977 e nomeou o pai, chefe de gabinete. Esta foi a primeira polêmica na carreira política de Geraldo Alckmin, à época acusado de nepotismo.

Em 1982, se elegeu deputado estadual e se consolidou na carreira política, deixando a medicina de lado. Alckmin disputou com João Doria, ex-prefeito de São Paulo, a condição de candidato a presidente pelo PSDB.

Política de conveniência praticada pelos correligionários do presidenciável

A região do Vale do Paraíba é o maior reduto eleitoral do presidenciável do PSDB, e o vereador Toninho da Farmácia, do mesmo partido, autor do requerimento 1.202/2018, que solicita ao Executivo Municipal a viabilização do museu em homenagem ao político de maior expressão da cidade, figura entre os maiores apoiadores do presidenciável na região.

Não perca as últimas notícias!
Clique no tema que mais te interessa. Vamos te manter atualizado com todas as últimas novidades que você não deve perder.
Eleições PSDB

A construção do museu tem por objetivo contar a trajetória política de Geraldo Alckmin, iniciada no seu município. Há de se ressaltar, entretanto, que o requerimento por si só não garante a construção do mesmo.

Entretanto, a ideia proposta em ano eleitoral e no atual momento do cenário político nacional deixam margens de dúvidas quanto à credibilidade de tal sugestão, haja vista as muitas denúncias de corrupção e outros delitos contra vários políticos dos mais diversos partidos.

A classe política nunca teve tanto descrédito no país como nos últimos anos e homenagear um presidenciável que tem o nome envolvido em denúncias de caixa 2 durante a campanha eleitoral para o governo do estado de São Paulo em 2010 e 2014 é no mínimo controverso e polêmico.

Geraldo Alckmin teve o nome citado por três delatores da construtora Odebrecht, O caso está sendo tratado no âmbito do Ministério Público de São Paulo, vez que, a ministra Nancy Andrighi, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), enviou a investigação à Justiça estadual, em detrimento da Operação Lava Jato.

O crime de caixa 2 está previsto no Código Eleitoral, em seu artigo 350 e prevê punições mais brandas. Os delatores da Odebrecht relataram o repasse feito a Adhemar César Ribeiro, cunhado do ex-governador, no valor de 2 milhões de reais em 2010 e de 8,3 milhões de reais no pleito eleitoral de 2014.

O museu em homenagem ao político poderá ser construído em um momento muito dúbio na vida de Alckmin, uma vez que ele poderá, uma vez candidato do PSDB, se tornar presidente do Brasil.

Por outro lado, se as investigações em torno do seu nome avançarem, poderá ser processado e condenado.

Resta saber se o museu irá contar todos os fatos da vida política de seu homenageado com a devida parcialidade proveniente do estado democrático, ou se será tão parcial quanto o requerimento apresentado e aprovado na Câmara Municipal de Pindamonhangaba que sugere a sua construção.

Não perca a nossa página no Facebook!
Leia tudo