Em meados de 2016, a presidente Dilma Rousseff [VIDEO] sofreu um processo de impeachment apoiado por alguns partidos que inicialmente faziam parte da sua base aliada. Lideranças petistas gritaram aos quatro cantos que foram traídos, se tratava de um golpe político e que fariam oposição ferrenha contra aqueles que ajudaram a tirar Dilma do poder. Cerca de dois anos se passaram, agora, o Partido dos Trabalhadores [VIDEO] estuda alianças com partidos que foram favoráveis ao processo de impeachment com foco nas eleições de outubro deste ano.

Segundo informações da Folha de S. Paulo, diretórios estaduais e governadores receberam a bênção dos comandantes do partido a fazerem coligações com partidos que foram oposição ao governo de Dilma Rousseff e trabalharam forte para derrubar a petista.

Em alguns estados, o Partido dos Trabalhadores estuda a chance de fechar alianças com partidos como o PP, DEM e até, novamente, com o MDB, de Michel Temer e sua trupe. Essa medida serve para mostrar que o cenário político no âmbito federal às vezes chega a ser completamente irrelevante quando se trata da política nos estados.

Em dezembro do ano passado, o Partido dos Trabalhadores criou uma resolução que determinava o núcleo de alianças do partido sendo siglas que votaram contra o impeachment da presidente Dilma Rousseff e fizeram oposição ao governo de Michel Temer.

Estados

Em pelo menos 16 estados, essa resolução não deverá ser cumprida, segundo a Folha. Um exemplo é o Ceará, onde o governador Camilo Santana (PT) governa com uma base aliada de 21 partidos. Entre as siglas que fazem aliança estadual com o PT no Ceará estão o MDB, DEM e PPS, três dos principais partidos que apoiaram o impeachment da presidente Dilma Rousseff.

O presidente do Senado Federal, senador Eunício Oliveira (MDB-CE), por exemplo, é um dos principais aliados de Camilo Santana no governo do Ceará. PT e MDB juntos no estado. Porém, em 2014, quando houve a eleição para governador do estado, Camilo e Eunício estavam rompidos e disputaram um contra o outro o cargo. No segundo turno, Camilo conseguiu bater Eunício por uma pequena margem e se tornou governador do Ceará. À época, MDB e PT eram aliados em âmbito federal, com Michel Temer concorrendo como vice na chapa de Dilma. Hoje, os cenários se inverteram. Enquanto PT e MDB se odeia mortalmente em âmbito federal, no estado do Ceará, estão de mãos dadas.

Outros estados seguem o mesmo princípio, como o Piauí, por exemplo. Wellington Dias governa o estado nordestino com o apoio de PP e MDB, dois partidos favoráveis ao impeachment.

Segundo a Folha de S. Paulo, Lula chegou até a incentivar algumas alianças suprapartidárias que pudessem trazer algum benefício ao PT em âmbito federal. Por exemplo, o apoio à candidatura de Renan Calheiros (MDB) ao senado em Alagoas e Helder Barbalho (MDB) no Pará.

Ambos são caciques já renomados e antigos na política, com vasta experiência em alianças e trocas de favores.

Toma lá da cá

Um exemplo de troca de apoio se da com o PT e PSB - maioria da bancada votou a favor do impeachment - em Pernambuco e Minas Gerais. No estado nordestino, o Partido dos Trabalhadores pretendia lançar o nome da vereadora Marília Arraes, porém, deve desistir e apoiar a candidatura vinda do PSB. Em troca, os petistas desejam que Márcio Lacerda (PSB) desista de sua candidatura em Minas Gerais e apoie a reeleição do atual governador, Fernando Pimentel (PT). A troca para os petistas é simples: Minas Gerais é o segundo maior colégio eleitoral do Brasil, atrás apenas de São Paulo. Seria de suma importância não perder a força no estado. Além disse, estuda-se a possibilidade da presidente Dilma se lançar candidata ao Senado também em Minas. Seria importante uma base forte.