Em meio às dúvidas e às necessidades mais urgentes do Partido dos Trabalhadores, o PT, surge uma certeza: a legenda não pretende apoiar Ciro Gomes no pleito presidencial marcado para o segundo semestre desse ano. A garantia foi dada pela senadora paranaense e atual presidente da sigla, Gleisi Hoffmann.

Na última quinta-feira, Gleisi visitou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Lula, em sua cela na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, no Paraná, onde se encontra preso por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso tríplex desde o dia 7 de abril.

Ao lado de Gleisi, o ex-ministro dos governos petistas e ex-governador da Bahia, Jaques Wagner, também participou do encontro com Lula.

Estas foram as duas primeiras visitas de políticos que o líder da esquerda brasileira recebeu desde que foi preso - ainda no mês passado, ele recebeu a visita dos seus familiares.

Após ter o encontro com Lula, Gleisi negou veementemente que o nome de Ciro Gomes tenha sido pauta da conversa. E deixou bem claro que o PT não trabalha com a possibilidade de apoiá-lo.

"O Ciro não é pauta do PT nem da conversa", garantiu Gleisi [VIDEO]. Segundo a repórter Mônica Bergamo, do jornal Folha de S. Paulo, o nome de Ciro teria sido sugerido pelo próprio Jaques Wagner, que recebeu uma reação até certo ponto curiosa da senadora: "Mas ele não sabe que o nome de Ciro Gomes não passa no PT nem com reza brava?", teria dito.

O posicionamento de Wagner a favor de Ciro ficou claro após o dia 1° de maio, feriado do Dia do Trabalhador, que teve eventos do PT em Curitiba.

Na ocasião, o ex-ministro se mostrou simpático à ideia de o PT ceder um nome para ser vice na chapa encabeçada por Ciro Gomes, do PDT.

"Eu sempre defendi, ainda mais após 16 anos, que havia chegado o momento de entregar a presidência. Sempre achei isso. Não há na democracia margem para uma permanência de 30 anos. Já defendia isso antes mesmo do acidente que levou Eduardo Campos", falou Wagner em referência ao ex-candidato à presidência em 2014, pelo PSB, que morreu vítima de uma tragédia aérea.

Mesmo preso, Lula ainda segue como o "ficha 1" do PT [VIDEO] para as eleições que se avizinham, até porque ele segue liderando todas as pesquisas de intenções de voto. Sua candidatura dependerá de uma série de análises das autoridades vinculadas aos tribunais eleitorais. No meio de abril, uma pesquisa Datafolha indicou que Lula teria até 31% da preferência do eleitorado, contra 15% do segundo colorado, o deputado federal pelo Rio de Janeiro, Jair Bolsonaro.

"O presidente Lula se disse muito preocupado com a situação do Brasil.

Ele ressaltou sua preocupação sobretudo com a economia do país", ressaltou Gleisi após o encontro.

Justiça nega visita de Ciro a Lula

Em paralelo à fala de Gleisi, o pré-candidato do PDT à presidência da República Ciro Gomes tentou na Justiça o direito de visitar Lula na prisão em Curitiba. No entanto, o Tribunal Regional Federal da 4ª Região negou a demanda que ainda incluiria o presidente do partido, Carlos Lupi, e o deputado federal André Peixoto Lima.

A alegação do tribunal é de que essa possível visita poderia representar um risco ao funcionamento das atividades na sede da Polícia Federal. Um dos desembargadores também lembrou que não é direito de um preso a visita de amigos.

Na mesma pesquisa citada acima que coloca Lula bem à frente dos demais candidatos, Ciro Gomes tem números bem tímidos, com apenas 5% das intenções de voto, oscilando entre a sexta e a sétima colocação de acordo com os cenários e os demais nomes apresentados. Politicamente, Ciro ocupou cargos importantes como o governo do Ceará e o ministério da Fazenda.