O PSDB foi por muito tempo a base de sustentação do governo. Principais aliados durante o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, MDB e PSDB andaram lado a lado em votações e estratégias de governo. Internamente no ninho tucano, Aécio Neves era o mais interessado em manter a aliança unida. Em conversas particulares após a queda de Dilma, o senador mineiro exigiu de Michel Temer sua palavra de que não tentaria se candidatar à Presidência da República após o fim do mandato e iria apoiá-lo.

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Em troca, Temer teria o PSDB na sua base aliada.

Porém, essa união, pelo menos oficialmente, foi desfeita. Escândalos contra Temer e sua trupe emedebistas, com ministros presos e denúncias que só não continuaram porque foram barradas na Câmara dos Deputados. Gravações de Aécio Neves pedindo dinheiro a Joesley Batista, o senador tucano afastado do cargo mais de uma vez, irmã e primo de Aécio presos. Esses foram alguns dos motivos que fizeram com que PSDB e MDB rachassem.

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No fim, os tucanos resolveram desembarcar e saíram da base aliada de Temer. Mas, na prática, não é bem assim.

O PSDB é o partido mais fiel a Michel Temer no que diz respeito as votações dos projetos prioritários do Planalto, segundo a Folha de S. Paulo. O MDB, curiosamente, não ocupa nem a segunda colocação, que é do fiel escudeiro dos tucanos, o DEM. A bancada do partido de Michel Temer é apenas a terceira mais fiel no Congresso aos interesses do Planalto.

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Prioridades

A Secretaria de Governo da Presidência destacou que os projetos ditos como prioritários para o Planalto desde meados de 2016, quando Michel Temer assumiu após ter derrubado Dilma, são: PEC do teto de gastos, reforma do Ensino Médio, Terceirização, Reforma Trabalhista, Intervenção Federal no Rio de Janeiro e SUS da Segurança Pública. O levantamento realizado pela Folha de S. Paulo levou em consideração a votação em plenário desses projetos.

A bancada dos tucanos é com certa folga a mais fiel aos projetos de Michel Temer. O PSDB deu 83,5% favoráveis as prioridades do Planalto. Já o Democratas, partido do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, apoiou os projetos prioritários do governo em 80,7% dos seus votos. Ocupando apenas a terceira posição, a bancada do MDB seguiu o apoio ao Planalto em apenas 78,9% dos votos.

Essa breve análise corrobora com os fatos que ocorreram nos últimos anos.

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O PSDB iniciou o governo de Michel Temer como sua principal base de sustentação. Após deixar o poder em 2002 e ver o PT governar o País por anos e anos, sendo derrotado todas às vezes nas urnas, os tucanos se aproveitaram da brecha e mataram bem a saudade do poder. Porém, quando viram o barco afundando, resolveram saltar. Michel Temer lutou até onde pode e tentou negociar com seu principal fiador, mas não conseguiu.

O governo resolveu assumir que o PSDB não fazia mais parte da base aliada em novembro do ano passado.

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A primeira votação de projetos imprescindíveis ao governo com os tucanos fora da base aliada foi a intervenção federal no Rio de Janeiro. Novamente, o PSDB deu mais votos favoráveis ao Planalto do que o MDB. 91% da bancada tucana apoiou a medida do Planalto no plenário. Já a bancada do partido de Michel Temer ofereceu 78% dos seus votos a medida.

A Folha de S. Paulo, o senador Romero Jucá, presidente nacional do MDB, afirmou que não importa o seu partido não ser o mais fiel ao governo, o importante é que os projetos foram aprovados. "Não estamos disputando fidelidade", afirmou.

Apenas um partido nunca deu nenhum voto favorável aos projetos prioritários de Michel Temer: o PSOL. Até o PT já "contribuiu" com o governo, com 1,2%.

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