Um ano depois da delação que abalou o governo de Michel Temer (MDB), o ex-procurador geral da República, Rodrigo Janot, falou com o jornal O Globo sobre o caso. Para Janot, o acordo foi “importantíssimo” para que os procuradores pudessem desvendar a “organização criminosa que se apropriou do poder público brasileiro”. Janot afirmou que Temer “achava que era imune a qualquer investigação do Ministério Público”.

Ao falar sobre as provas que mostram o envolvimento de Temer nos escândalos, Janot relembrou a existência de áudios e vídeos publicados pela imprensa. “Se isso não é o suficiente [para provar o envolvimento de Temer], eu me mudo para Marte”, disparou o ex-procurador geral. Na ocasião da revelação do escândalo, Temer conseguiu escapar de duas denúncias ao barrá-las na Câmara, mas o presidente pode voltar a responder pelas acusações ao perder o foro privilegiado, no ano que vem.

Janot também atacou o senador Aécio Neves (PSDB-MG), outro dos principais envolvidos no escândalo proveniente das delações dos irmãos Joesley e Wesley Batista, da JBS. “Chegamos ao virtual futuro presidente da República, que também continuava praticando atos e se acreditava imune”, afirmou Janot, em referência ao candidato derrotado nas eleições presidenciais de 2014 que se projetava como possível vencedor do pleito em 2018.

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Michel Temer

Na conversa com o jornalista Jailton Carvalho, Janot também defendeu que uma reforma política seja aplicada no país para combater a corrupção e os deslizes praticados por ocupantes de cargos no poder público. “A mudança virá pela política”, disse Janot. “A investigação não criminaliza a política. Ela busca criminosos que se escondem atrás de mandatos políticos”, completou o ex-procurador geral.

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