Embora o cenário político neste momento não se apresente animador ao Partido dos Trabalhadores, o PT, a ex-presidente da República Dilma Rousseff mantém a confiança na possibilidade da candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva, o Lula, e na sua posterior vitória nas urnas.

Desde o dia 7 de abril, Lula está preso na Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba, pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do tríplex, no Guarujá-SP.

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Em janeiro de 2018, o Tribunal Regional Federal da 4° Região ampliou a condenação do petista dentro das investigações da Operação Lava-Jato para 12 anos e 1 mês de detenção.

Ainda assim, Dilma mantém a confiança em uma reviravolta positiva envolvendo Lula.

Ela visitou seu grande padrinho político na cadeia nesta semana e avaliou da seguinte forma os próximos passos políticos do país e do seu partido:

"Nós temos total certeza de que Lula poderá participar das eleições presidenciais e por consequência ser eleito outra vez", definiu. "Estão acusando o presidente de ter um apartamento que era de outro. Mas a cada dia fica mais claro que ele é um preso político", destacou.

Oficialmente, o PT [VIDEO] mantém o discurso de que não existe "plano B" para a eleição, isto é, é Lula ou Lula - embora uma ala do partido defenda a aproximação a Ciro Gomes, pré-candidato à presidência pelo PDT. Naquilo que defende a Lei da Ficha Limpa, Lula está impedido de disputar qualquer cargo público. A matéria ainda deve ganhar um posicionamento do Tribunal Superior Eleitoral - TSE.

Dilma volta a falar em "golpe"

A ex-presidente voltou a falar em "golpe" após visitar o líder da esquerda brasileira na prisão. Segundo ela, a candidatura de Lula é a "única maneira" de barrar o "golpe" existente no Brasil. Ela se refere, por óbvio, ao método como foi destituída da presidência, por meio de um impeachment.

A ruptura do governo Dilma, vale lembrar, começou com o afastamento do PMDB, que já dava sinais de insatisfação no final de 2015, sobretudo pela falta de "protagonismo" no governo por parte do vice-presidente Michel Temer - mais tarde, em agosto de 2016, ele herdaria oficialmente o cargo mais importante do Executivo brasileiro.

Com o PMDB - que virou MDB - afastado, Dilma perdeu governabilidade e apoio no Congresso Nacional. A partir da aceitação do pedido de impeachment pelo então presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, ela entrou em uma espiral de derrotas políticas que foi terminar com sua inevitável destituição, em agosto de 2016.

Temer, por ser o vice-presidente eleito em 2014, assumiu o governo para frustração e até certa irritação dos petistas, que nunca reconheceram "legítimo" o governo que se seguiu.

Dilma despista sobre candidatura ao Senado Federal

Perguntada sobre uma eventual candidatura já no pleito de 2018, Dilma não foi clara e usou uma canção de Chico Buarque para despistar aos jornalistas: "Estou me guardando para quando o carnaval chegar", brincou.

Boatos recentes apontam que Dilma poderia concorrer [VIDEO] com Aécio Neves por uma cadeira no Senado Federal pelo estado de Minas Gerais. Seria, assim, uma "revanche" da disputa ocorrida no ano de 2014, quando a petista venceu o tucano em segundo turno, por uma margem mínima de votos, e renovou sua presença na presidência da República.

Ainda sobre Lula, a ex-presidente garantiu que ele está com uma "aparência excelente" e com a "moral elevada", embora "indignado" pela recente crise de preços desencadeada pela gestão da Petrobras, que gerou imensa insatisfação dos caminhoneiros, greves e transtornos no abastecimento do país inteiro nas últimas semanas.