Em e-mail datado de 13 de setembro de 2010, o ex-presidente da república, Fernando Henrique Cardoso, solicitou uma espécie de "doação" à empreiteira Odebrecht, mais precisamente ao presidente da companhia Marcelo Odebrecht. [VIDEO]

Fernando Henrique Cardoso teria solicitado doações para poder financiar campanha eleitoral do então candidato ao Senado Federal, Antero Paes de Barros. FHC enviou um e-mail a Marcelo para lembrá-lo que o candidato do PSDB estava em segundo lugar na disputa eleitoral daquele ano (2010), então, o ex-presidente da república enviou a conta da campanha do candidato para o empreiteiro depositar a quantia solicitada.

FHC escreve em e-mail solicitação de doação para campanhas

Segue a contextualização do e-mail que ex-presidente enviou ao Marcelo Odebrecht:

O ex-presidente solicitou um 'SOS' ao empreiteiro Marcelo Odebrecht, e Marcelo informou ao FHC que não poderia apurar no exato momento o pedido do ex-presidente. O empreiteiro informou que retornaria na semana seguinte que membros do PSDB já o havia contatado a respeito do financiamento de campanha para políticos do partido tucano.

Uma semana após a primeira mensagem, FHC foi insistente com Marcelo Odebrecht, e pediu que o empreiteiro desse maior atenção aos candidatos tucanos do PSDB.

As mensagens foram encontradas devido às denúncias de Corrupção envolvendo o também ex-presidente da república entre 2003 e 2011, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), preso em abril desse ano pelo Juiz Federal de Curitiba Sérgio Moro por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso tríplex do Guarujá.

O que isso pode afetar nas eleições do PSDB?

O PSDB tem sofrido inúmeras denúncias de corrupção no partido. Seu ex-presidente nacional do partido, Aécio Neves, é atualmente réu no STF por corrupção ativa, passiva e obstrução de justiça. O pré-candidato do PSDB à presidência da República, e ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, demonstra fragilidade nas pesquisas eleitorais devido aos escândalos envolvendo o PSDB e seu governo no estado de São Paulo. Alckmin aparece nas pesquisas atrás de Jair Bolsonaro (PSL) e Marina Silva (Rede Sustentabilidade), respectivamente.

Procurado após o vazamento do e-mail, Fernando Henrique disse que não cometeu crime nenhum, e que, se houve qualquer financiamento de campanha no ano em questão, estavam dentro da legalidade. A suposta doação da Odebrecht não apareceu no extrato do Senador Antero Paes de Barros, e nem do PSDB.