O juiz federal Sérgio Moro [VIDEO], responsável pela Operação Lava Jato, ouviu, nesta quarta-feira (20), Lietides Pereira Vieira, irmão do caseiro do sítio de Atibaia, Élcio Pereira. A testemunha acabou denunciando supostos abusos de poder por parte de agentes federais e procuradores da Lava Jato. De acordo com Lietides, sua esposa, Lena, foi levada para dentro do sítio por polícia federais e procuradores da força-tarefa, por volta das 6h da manhã, juntamente com seu filho de 8 anos.

Lietides contou que o menino ficou afetado psicologicamente pela forma como eles foram tratados. Ele está se tratando com médicos, atualmente.

Lietides é testemunha de defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que se encontra cumprindo a sua pena na Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba. O juiz Sérgio Moro afirmou que vai apurar se houve abuso de poder nas investigações relacionadas ao sítio de Atibaia [VIDEO].

Segundo Lietides, que já trabalhou como eletricista na propriedade, os investigadores ficaram com sua esposa cerca de uma hora no sítio. Só depois, ela foi levada de volta para casa. A testemunha afirmou que os policiais e procuradores ficaram o tempo inteiro pressionando ela e perguntando se ela tinha visto Lula no sítio. Eles também queriam saber para quem que ela trabalhava.

O Ministério Público e a Polícia Federal ainda não foram encontrados para falar sobre as acusações da testemunha.

Conversa com procuradores

O pedreiro Edvaldo Pereira, outro irmão do caseiro Élcio Pereira, afirmou que também foi visitado pelos procuradores e agentes federais.

Ele chegou a gravar uma conversa com os procuradores. Ele revelou que se sentiu intimidado com as autoridades.

Depoimento do caseiro

Élcio Pereira falou que o sítio sempre esteve sendo cuidado por Fernando Bittar. De acordo com o caseiro, apenas em 2013 e 2014, a família Bittar se afastou um pouco da propriedade e, em contrapartida, a família do ex-presidente Lula começou a ir mais ao sítio.

No final do seu depoimento, o MPF quis saber se ele falou tudo aquilo por orientação do empresário Bittar e de seus advogados.

Ao explicar sobre os e-mails que ele teria enviado ao Instituto Lula, comentando sobre detalhes do sítio, o caseiro falou que dona Marisa Letícia, esposa falecida de Lula, gostava muito da horta e dos bichos da propriedade. Por essa razão, ele sempre informava sobre tudo o que acontecia por lá. Segundo ele, a própria dona Marisa queria estar informada sobre os acontecimentos.