Nesses últimos 10 dias, a greve dos caminhoneiros [VIDEO] mexeu não somente com o mercado econômico nacional, mas também com os políticos, principalmente porque este ano tem eleições.

Diante da enorme repercussão deste movimento grevista, muitas foram as declarações e posições dos políticos. Nota-se a preocupação em conseguir ganhar apoio político, mesmo diante de tantos problemas.

O movimento grevista começou a enfraquecer nessa quarta-feira (30 de maio), mas a greve continua em muitas rodovias, mesmo porque alguns motoristas temem em deixar o movimento e sofrer retaliações.

Olhando para o lado político, após o término da grave, fica a dúvida sobre como os políticos irão se comportar [VIDEO] e o resultado final nas urnas.

Podemos ter uma ideia observando os comentários e palpites sobre a repercussão da greve e quais os políticos que ganham ou perdem com isso.

Políticos que perderam

Presidente Michel Temer

Como presidente da nação, Michel Temer foi quem teve o maior “prejuízo” político com o movimento grevista. Como não poderia deixar de ser, a oposição criticou ativamente a gestão econômica dele. Não faltaram críticas até por parte de seus aliados.

Michel Temer está completando 2 anos de governo e possui bons índices na economia, como crescimento, mesmo que tímido, juros mais baixo e controle da inflação. Apesar disso o que mais influenciou no desgaste do governo Temer, foi de prever a paralisação e a inércia em começar a negociação com os motoristas, evitando maiores danos econômicos principalmente à indústria e à população.

O resultado desses dias de greve foi principalmente a falta de combustíveis e o abastecimento dos supermercados. O que já não era bom ficou pior, pois isso desgastou muito a imagem do presidente Temer. Hoje a popularidade dele está em 6%, sendo a mais baixa aprovação desde o início do período democrático.

Rodrigo Maia

Como pré-candidato à Presidência da República, Rodrigo Maia (candidato pelo DEM-RJ) procurou se antecipar nas declarações, talvez para ganhar algum apoio político, mas não obteve o resultado esperado. Fez uma declaração na internet informando que o governo iria zerar o imposto da Cide que incide nos combustíveis. Logo depois precisou corrigir afirmando que essa redução era apenas para o diesel.

Diante da duração e repercussão da greve, Maia procurou solução no projeto de lei que reonera a folha de pagamento de empresas, e em contra partida incluiu uma emenda que para zerar o imposto do PIS/Cofins, que apesar do apoio dos deputados, não o teve por parte do governo.

Segundo Maia, essa isenção de impostos causava um impacto de R$ 3,5 bilhões de reais, enquanto que para os ministros a cifra chegava a R$ 16 bilhões de reais.

O resultado final foi que o deputado Maia, anunciou que reviu os cálculos e que agora o montante é de R$ 9 bilhões de reais, caso a isenção seja aprovada. Isso causou um constrangimento nos bastidores até pelos próprios aliados.

Políticos que ganharam

Márcio França

Márcio França foi o primeiro governador a tentar buscar uma solução para greve dentro das possibilidades do estado. No preço dos combustíveis também incide o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), imposto estadual onde a alíquota varia de estado para estado.

Quando as negociações com o governo federal fracassaram, Márcio França se reuniu com os principais líderes da greve para conversar e assumiu a responsabilidade de mudar o ICMS e de suspender a cobrança do pedágio para o eixo suspenso em todo o estado de São Paulo. No entanto, essas mudanças foram atreladas à condição de que o governo federal arque com os custos e deve vigorar a partir de quinta-feira (31 de maio).

Raul Jungmann

Apesar de não ser candidato nas eleição deste ano, Raul Jungmann (deputado federal licenciado - PPS) se destacou nas entrevistas e coletivas transmitindo uma postura sóbria e de transparência. Chamou a atenção de todos ao informar que poderia haver outro tipo de movimento por parte dos empresários, conhecido como locaute.

O locaute é proibido por lei, por isso destacou a Polícia Federal para investigar e defendeu o trabalho das Forças Armadas para a proteção dos caminhoneiros que transportavam medicamentos e demais produtos essenciais. Também teve participação no acompanhamento dos trabalhos da Polícia Federal as devidas negociações com os motoristas.

Nos meios políticos, Jungmann saiu valorizado, principalmente em negociações onde o governo federal não obteve êxito, pois apesar de informado, não foi capaz de prever e pelo menos no início administrar a crise.