Um apartamento em Guarujá, litoral de São Paulo, tem sido citado em uma ação sobre a divisão da herança da esposa falecida do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Marisa Letícia. Os direitos sobre esse imóvel têm relação com o triplex, que foi o fator alvo da condenação de Lula por corrupção passiva e lavagem de dinheiro através da sentença do juiz federal Sérgio Moro.

Conforme as informação publicadas no Portal UOL, entre 2005 e 2009, Marisa chegou a pagar algumas parcelas do imóvel que estava sob a responsabilidade da Bancoop (Cooperativa Habitacional dos Bancários). Por motivos financeiros, a Bancoop acabou repassando todo o empreendimento para a construtora OAS.

Os dirigentes da construtora deram duas opções para quem havia pago as parcelas: a devolução de todo o dinheiro ou a possibilidade de adquirir uma outra unidade, utilizando, assim, os valores já pagos para a Bancoop.

De acordo com as informações da defesa do ex-presidente, Marisa queria adquirir uma outra unidade, porém, em 26 de novembro de 2015, ela teria solicitado a devolução de todo o dinheiro pago para a Bancoop. No caso, a OAS tinha que devolver R$ 320,9 mil para ela. De toda essa quantia, a metade ficaria com Lula e a outra parte dividida para os quatro filhos do casal. Cada um ficando com R$ 40,1 mil.

Investigações da Lava Jato

A construtora OAS foi um dos alvos da Operação Lava Jato. Ela foi acusada de ter beneficiado Lula [VIDEO] com um triplex de 215 m², que fica no mesmo Edifício Solaris, onde está o apartamento alvo da divisão da herança.

Como contrapartida, a empresa teria vantagens ilícitas em contratos com a Petrobras e Lula seria um dos responsáveis para que esse esquema de corrupção desse certo.

Na concepção do juiz Sérgio Moro [VIDEO], da 8ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) e do Ministério Público Federal (MPF), o triplex é de Lula, mesmo ele estando registrado no nome da OAS.

No mês de julho, o juiz que cuida da parte da herança da ex-primeira-dama falecida, Carlos Henrique André Lisbôa, questionou a defesa do petista se já havia sido julgado a ação que trata sobre a dívida da OAS com Marisa. Os advogados ainda não se manifestaram no processo sobre a divisão dos bens.

Desconfiança

Segundo informações do site o Antagonista, os procuradores estariam desconfiados sobre alguns erros encontrados no processo de inventário. Um dos exemplos é a real quantidade de cotas que Marisa tinha em um fundo imobiliário do Bradesco. Eles falam em 500 e não 500 mil como foi informado originalmente.

Um outro detalhe destacado é sobre a inclusão do LulaRetificaPartilha de previdência privada (VGBL), que somam R$ 9 milhões. O MPF ainda não tem certeza se os filhos do ex-presidente teriam direito sobre esse montante.