O juiz Marcelo Bretas, responsável pela Operação Lava Jato do Rio de Janeiro, afirmou, nesta sexta-feira (27), que os políticos que cometeram crimes contra os cofres públicos deveriam ter uma "pena de morte Política". Segundo o magistrado, eles não devem ter outra chance, se ficar provado que eles roubaram. As palavras dele foram ditas em um evento na Casa de Não Ficção Época & Vogue, durante a Flip.

O juiz respondeu a várias perguntas do colunista do Jornal O Globo, Bernardo Mello Franco, do editor-chefe da revista Época, Plínio Flagra e do público presente. Para Bretas, o político corrupto morreu. Ele não deve voltar à ativa depois de cometer atrocidades contra a sociedade brasileira.

Questionado sobre a legislação brasileira punir com o afastamento de oito anos quem cometeu crimes na função pública, Bretas ressaltou que só isso não resolve. De acordo com ele, é necessário uma "pena de morte política", assim, quando alguém ingressar na política com más-intenções lembrará da punição que pode ter.

Eleições e Lava Jato

Bretas afirmou que também teme um pouco o resultado das eleições conforme Sérgio Moro também já declarou. A Lava Jato pode ter interferências e ser prejudicada. Um dos pontos destacados pelo magistrado é a forma de como são escolhidos os ministros. O presidente da República nomeia aquele ministro que pode, futuramente, não ir contra ele em alguma questão que o prejudique. Dessa forma, ele fica mais tranquilo com os seus trabalhos e pode acabar cometendo algumas irregularidades.

Bretas também reiterou que o Supremo Tribunal Federal (STF) [VIDEO] sempre apoiou as investigações, com exceção do caso do senador Aécio Neves [VIDEO], que teve a sua prisão evitada. O juiz da Lava Jato do Rio disse que se refere ao Plenário do STF e não a decisões individuais dos ministros.

Delações premiadas

O magistrado comentou sobre a importância do mecanismo de delação premiada usado no Judiciário. Ele falou que as pessoas que vão contra isso são aquelas que defendem interesses dos acusados. Bretas falou que ninguém é forçado a falar. Muitos acusados o procuram para dar informações e amenizar as suas penas. Além disso, tem alguns que querem devolver o dinheiro roubado e isso pode ser um passo importante para o reforço dos cofres públicos.

Ele ainda criticou as pessoas que querem sigilo total nos casos do Judiciário. Para o juiz, é importante a imprensa saber o que está acontecendo para alertar as pessoas. Com sigilo, nenhum processo anda, declarou.

Questionado sobre a possibilidade de entrar na política, Bretas afirmou que isso não faz parte do universo dele. "Nunca pensei nisso, do mesmo jeito que nunca pensei em ser médico, por exemplo".