A Câmara Municipal da cidade do Rio de Janeiro se reunirá nesta quinta-feira, dia 12, em sessão extraordinária para discutir a admissabilidade dos pedidos de Impeachment apresentados contra o prefeito Marcelo Crivella [VIDEO] (PRB). O político, que é bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus, é acusado de ter utilizado suas atribuições no cargo para beneficiar pastores e membros da igreja neopentecostal. As informações foram veiculadas pelo portal UOL.

As denúncias contra Crivella [VIDEO] ganharam força na semana passada, quando o jornal O Globo publicou uma reportagem que alegava que o prefeito se reuniu com pastores, oferecendo facilidades em serviços públicos como pagamento solucionamento de questões de IPTU e facilidades para oferecer cirurgias em serviços públicos à fiéis da Universal.

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A publicação também veiculou um áudio com falas de Crivella captadas durante a reunião, batizada de “Café da Comunhão”.

“Se os irmãos tiverem alguém na igreja com problema de catarata, se os irmãos conhecerem alguém, por favor falem com a Márcia [assessora da prefeitura]”, diz Crivella no áudio revelado pelo O Globo.

“É só conversar com a Márcia que ela vai anotar, vai encaminhar, e daqui a uma semana ou duas eles estão operando”, completa o prefeito, que também diz que irá ajudar os pastores de sua igreja em situações relacionadas ao IPTU.

"Tem pastores que estão com problemas de IPTU. Igreja não pode pagar IPTU, nem em caso de salão alugado”, diz Crivella. “Mas, se você não falar com o doutor Milton, esse processo pode demorar e demorar. Nós temos que aproveitar que Deus nos deu a oportunidade de estar na prefeitura para esses processos andarem”, continua o prefeito do Rio.

Depois da revelação do áudio, Crivella se tornou alvo de dois pedidos de impeachment apresentados à Mesa Diretora da Câmara. Um deles é movido pelo PSOL, o outro pelo vereador Átila Alexandre Nunes (MDB), e um terceiro deve ser protocolado por servidores junto ao Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.

Além disso, o prefeito também pode se tornar réu em uma ação por improbidade administrativa apresentada pelo Ministério Público do Rio de Janeiro. Além disso, o MP também acusa o prefeito de utilizar escolas públicas do Rio de Janeiro para sediar eventos da Universal. Crivella nega as acusações e diz ser vítima de perseguição religiosa.

Nos pedidos de impeachment, os vereadores argumentam que Crivella respeitou um artigo sobre uma lei que trata do decoro de prefeitos e vereadores em exercício do mandato. Caso os pedidos de impeachment avancem, o fututo de Crivella será decidido pelos 51 membros que compõe a Câmara Municipal carioca. Já em relação às acusações de improbidade administrativa, o prefeito pode responder por uma ação pública na Justiça comum, caso a denúncia do MP do Rio avance.

A Câmara se reunirá para debater a admissabilidade dos pedidos de impeachment de Crivella a partir das 14h desta quinta. Caso os pedidos sejam julgados procedentes, a Procuradoria do Rio de Janeiro decidirá se Crivella já será afastado do cargo agora, ou se continuará na função até que o processo seja aprovado por plenário e instaurado.

Caso o prefeito acabe mesmo afastado, quem assumirá a prefeitura de forma provisória será o presidente da Câmara, Jorge Felippe (MDB), pois o vice de Crivella, Mac Dowell, faleceu no mês de maio deste ano.

Antes, Crivella já havia sido alvo de críticas da oposição ao realizar constantes viagens para o exterior. O prefeito chegou a se ausentar da cidade durante o Carnaval, considerando um dos períodos mais importantes para o turismo da cidade do Rio de Janeiro. Na ocasião, Crivella minizou as críticas e afirmou que estava na Europa buscando soluções para a segurança pública da cidade.

Crivella se defende em rede social

Em publicação veiculada em suas redes sociais oficiais na última terça, dia 10, Crivella criticou o jornal O Globo no que chamou de "matérias tendenciosas". O prefeito negou que a reunião feita com pastores fosse "secreta", afirmando que o encontro foi convocado pelas redes sociais. Crivella também disse que o mutirão da catarata nasceu de uma ideia sua "enquanto caminhava pelas comunidades". O prefeito afirmou que a transparência "sempre foi marca" de sua gestão.