Circula na internet e redes sociais um vídeo de 40 segundos, em que o presidenciável Ciro Gomes (PDT) chama um promotor de justiça do Ministério Público de São Paulo de “Filho da p...”. A declaração foi dada numa sabatina da Abimaq (Associação Brasileira das Indústrias de Máquinas e Equipamentos) realizada nesta terça-feira (17). Ciro Gomes se refere à promotora Mariana Bernardes Andrade, da 4ª Promotoria Criminal do Fórum da Barra Funda (zona oeste de SP) que determinou a abertura de inquérito contra Ciro Gomes, em junho, por suspeita de prática de injúria racial, devido a uma declaração feita por Ciro em uma entrevista em rádio em que ele chamou de “capitãozinho do mato” o vereador do Município de São Paulo, Fernando Holiday (DEM), que é um dos coordenadores do MBL (Movimento do Brasil Livre).

A sabatina completa com o presidenciável Ciro Gomes está disponível no canal oficial do Youtube da Abimaq.

O “caso Holiday”

Na ocasião, o pré-candidato à presidência do Brasil, e crítico do MBL, ao comentar possíveis alianças com o partido DEM, declara que Fernando Holiday é um negro usado pelo preconceito para estigmatizar, sendo considerado, portanto, como um “capitão do mato”, figura histórica do Brasil colonial que era um serviçal negro que capturava negros fugidos para os senhores de engenho, ou seja, era visto como traidor.

Fernando Holiday é conhecido por sua postura crítica em relação às pautas dos movimentos negros, como o Dia Da Consciência Negra e as cotas raciais em Universidades públicas. E diz que o fato de ser negro, não deve vinculá-lo imediatamente às questões raciais, portanto, reivindica um espaço legítimo de crítico dessas questões.

Após a declaração na rádio, o vereador Fernando Holiday disse que processaria Ciro.

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Sobre o vídeo da sabatina

O vídeo que circula é apenas um trecho, mas, segundo a imprensa, Ciro estava respondendo um questão da reforma da previdência e comentava que deviam ser cortados privilégios existentes na Administração pública, entre eles, os dos magistrados e membros do Ministério Público. Vale lembrar, que são notórias e correntes matérias na mídia que denunciam os super salários e benefícios recebidos pelo Poder Judiciário e o Ministério Público, elevando os contra-cheques que chegam a ultrapassar em até cinco vezes o teto constitucional dos servidores públicos.

Criticando tal situação, Ciro Gomes citou o caso da promotora e advertiu que ela deve ir aproveitando a situação, porque num provável governo seu, essa “mamata vai acabar”. Ciro Gomes faz referência aqui a suposto abuso de poder que membros do MP e do judiciário podem cometer, se valendo do cargo que possuem e das prerrogativas existentes.

Uma forma de reduzir arbitrariedades seria mexer em privilégios que vigoram hoje.

Ciro Gomes deu a entender que o processo aberto pelo MP-SP tem caráter político e foi feito em um contexto que poderá atrapalhar seu percurso político na corrida presidencial. Muitos sites e comentaristas políticos já associam a declaração inadequada do pedetista ao seu comportamento destemperado e colocam em questão o caráter e comportamento de Ciro, uma forma de desmobilizar aspectos positivos da figura do candidato e pela defesa de uma postura mais comedida e cerimonial.

No vídeo, Ciro Gomes questiona qual a responsabilização de um possível prejuízo de ordem política, imagética, eleitoral devido a essa atuação do MP-SP. Ainda, o presidenciável reforçou sua biografia, ressaltando valores próprios, como o da honradez.

Reação do Ministério Público do Estado de São Paulo

O MP-SP publicou hoje (18) nota sobre as declarações de Ciro. Em dois parágrafos, salientou que a atuação da promotora seguiu estritamente os ditames legais e constitucionais e se valendo das inviolabilidades as prerrogativas outorgadas ao MP. Disse que o caso será julgado pelo conjunto dos promotores seguindo “rigorosos parâmetros de profissionalismo, técnica e impessoalidade”.

Resposta de Ciro

Segundo assessoria de imprensa, Ciro Gomes não irá comentar o caso e se concentra em discutir a sobre a venda da Embraer para a Boeing.

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