Os deputados do PT, Wadih Damous e Paulo Pimenta, responsáveis pelo pedido de liberdade do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), já estavam em Curitiba antes mesmo da decisão ter sido proferida pelo desembargador Rogério Favreto.

Conforme declarações deles e registradas pelo Facebook, os deputados chegaram à sede da PF às 8h30, no domingo (08). A decisão do desembargador foi expedida às 9 horas e 5 minutos, horário em que todas as partes envolvidas deviam ter conhecimento do decreto.

Favreto acatou o pedido dos deputados, na sexta-feira (06), minutos antes dele entrar como plantonista no tribunal.

O desembargador argumentou que existia um fato novo no processo e por essa razão, expediu o documento de liberdade para o ex-presidente. Uma das alegações dele é que Lula deveria ter oportunidade de participar das atividades eleitorais.

Damous e Pimenta já estavam na porta da Superintendência da PF avisando os policiais sobre a determinação. Segundo informações apuradas pelo Estadão, os dois comunicaram os policiais depois das 9 horas, momento praticamente exato em que o desembargador expediu a ordem de soltura.

Em declarações para manifestantes pelas redes sociais, os parlamentares afirmaram que às 8h30 já estavam no local para falar com os agentes. Eles também ressaltaram, no dia, que o juiz federal Sérgio Moro estava de férias e tinha ido para Portugal, o que se tornou uma notícia equivocada, pois Moro estava em Curitiba, conforme informações da assessoria da Justiça Federal do Paraná.

Turbulência jurídica

Porém, após todos os fatos acontecerem e uma grande turbulência tomar conta do meio jurídico, no domingo (08), as partes responsáveis pelo processo foram se pronunciando. Os deputados teriam alertado que a decisão do juiz da Lava Jato de não liberar Lula e ainda acionar o relator João Gebran Neto foi uma atitude ilegal.

Gebran reverenciou a decisão de Moro sobre a incompetência do desembargador de ir contra o colegiado do TRF-4 [VIDEO]. O presidente do tribunal, Carlos Thompson Flores, reforçou a ação do magistrado da Lava Jato [VIDEO] e, por último, a presidente do Superior Tribunal de Justiça, Laurita Vaz, também elogiou a "oportuna precaução" de Moro.

Nesta quarta (11), a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, pediu para o STJ abrir um inquérito contra a decisão do desembargador Rogério Favreto de tentar a liberdade de Lula. Para ela, houve uma motivação pessoal em tudo isso.