O Estadão está promovendo um Fórum, nesta quarta-feira (25), sobre formas de reconstrução do país. Nos discursos e debates estão presentes o juiz federal Sérgio Moro, o advogado do presidente Michel Temer, Antonio Carlos Mariz de Oliveira e o promotor Marcelo Mendroni do Ministério Público de São Paulo. Cada um expôs as suas convicções sobre os caminhos para a melhoria do país. O promotor chegou a desabafar e criticou os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Para ele, sem generalizar, os magistrados da Corte estão se considerando acima da Lei ao decidirem monocraticamente por decisões contra a jurisprudência da Casa.

O promotor acredita que a condenação após a prisão em segunda instância é algo que já deveria ter acontecido há muito tempo.

Ele defende a prisão preventiva imediata, para que os corruptos não tenham tempo de alterar provas ou mudar cenários de crimes.

De acordo com Mendroni, as decisões tomadas pelo STF são, por muitas vezes, sem uma lógica aparente. "Alguns ministros do STF se consideram acima da Lei", disse ele. Um dos pontos destacados pelo promotor é a forma como alguns magistrados do STF desobedecem a jurisprudência decidida em votação. Sem mencionar nomes, ele mandou o recado para a conduta absurda de alguns ministros que tomam decisões monocráticas sobre casos graves.

Caso Lula

Marcelo Mendroni também se posicionou contra a candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo ele, é "imoral e ilegal". O promotor ressalta que apresentar uma candidatura de alguém que não vai concorrer por estar na lei da Ficha Limpa é algo sem sentido.

Seria uma tentativa de forçar algo contra a Justiça. O ex-presidente Lula mantém a sua ideia de concorrer e quer que o partido esteja junto com ele. Há informações de que, mais próximo das Eleições, ele repasse todos os seus votos para um outro candidato do PT. Seria uma estratégia para dar uma arrancada no final da campanha.

Divergências

Sérgio Moro falou sobre o tema prisão em segunda instância [VIDEO] e disse que era um passo fundamental dado contra a Corrupção. Para o juiz, prender um suspeito de crimes apenas após a imensidão de recursos a que ele tem direito impactaria a efetividade da Justiça. Segundo o magistrado da Lava Jato, a Justiça não iria funcionar.

O advogado do presidente Michel Temer, Antonio Claudio Mariz de Oliveira, tem a visão diferente. Ele acredita que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) deve ser o responsável em determinar a prisão provisória. O ministro Dias Toffoli [VIDEO]defendeu esse argumento na Corte.