Deltan Dallagnol, Procurador da República, participou na manhã dessa sexta-feira (20), de um evento em Belo Horizonte, com empresários mineiros na Federaminas (Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Estado de Minas Gerais). No evento, o procurador, membro do Ministério Público Federal (MPF) [VIDEO], defendeu a Operação Lava Jato, e teceu comentários sobre o combate à corrupção e o julgamento que o Poder Judiciário faz dos políticos envolvidos em escândalos e investigações criminais, principalmente, daqueles que possuem a Prerrogativa de Foro, popularmente, conhecida como “foro privilegiado”.

Vale lembra que Deltan Dallagnol é coordenador da Força-Tarefa do MPF da Operação Lava-Jato em Curitiba, portanto, é um crítico ferrenho da corrupção e defensor do combate a esse tipo de prática que ele define como nocivo ao país.

Segundo Dallagnol, é importante que todos aqueles que estejam envolvidos em crimes relacionados à corrupção sejam julgados e responsabilizados por seus atos. Portanto, em defesa do princípio republicano da igualdade, não deveria haver discriminações quanto ao julgamento e que a lei vale para todos em igual medida.

O procurador também ressaltou que a Lava-Jato está conseguindo cumprir o dever de responsabilizar todos aqueles que estão sendo julgados e condenados, e espera que a operação chegue a todos os envolvidos e que a justiça seja feita e aplicada seguindo legislação vigente.

Crítica à morosidade do Judiciário

Deltan Dallagnol não deixou de criticar a morosidade do Judiciário em julgar alguns casos, principalmente, daqueles que envolvem políticos com ‘foro privilegiado’, principalmente, quando a instância de julgamento é o Supremo Tribunal Federal (STF).

Tal declaração ganha coro e aplauso, pois está concatenada a um sentimento geral da sociedade brasileira de que o Judiciário demora a julgar os casos. Não haveria um prazo razoável do processo, mas uma lentidão que gera sensação de injustiça.

O procurador cobrou do STF que o Tribunal busque soluções para que consiga destravar e tirar os obstáculos existentes que impedem a agilidade na tramitação dos processos judiciais.

Dallagnol disse que a impressão que fica é que os políticos envolvidos nos casos de corrupção e na Lava-jato não são responsabilizados de forma adequada, quando submetidos ao julgamento no STF, diferente da justiça em Curitiba, em que há adequada responsabilização devido ao trâmite mais ágil dos processos.

De modo polêmico, o procurador da República comentou que “nada justifica” a demora do STF em julgar Aécio Neves [VIDEO]. Tal fato demonstra a pouca efetividade da justiça no julgamento dos processos da Lava-jato naquela instância suprema.