Em evento em Belo Horizonte (Minas Gerais), na Federaminas (Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Estado de Minas Gerais), o procurador da República, Deltan Dallagnol comentou a declaração feita por Ciro Gomes (PDT), pré-candidato à Presidência da República pelo PDT [VIDEO], a respeito do trabalho de uma procuradora do Ministério Público do Estado de São Paulo (MPE-SP) que abriu investigação contra o pedetista por suspeita de injúria racial. Ciro Gomes xingou a promotora de “Filho da p...” e disse que a atuação dela foi parcial, de cunho político, e que poderia trazer prejuízos à campanha eleitoral dele. Ciro ainda completou que quando for presidente a "mamata vai acabar", ao comentar sobre o trabalho do Ministério Público.

A declaração de Ciro foi feita em uma sabatina, dia 17 de julho, em São Paulo, na Abimaq. Ciro Gomes está sendo investigado porque chamou vereador de São Paulo, Fernando Holiday (DEM), de “capitãozinho do mato”, durante entrevista em rádio paulista.

Crítica de Dallagnol

Segundo o procurador da República o acontecimento foi “inesperado”. Disse que o debate político para eleição de postulante à Presidência da República é de alto nível e quem se submete a ele deve ter respeito ao trabalho de pessoas que estão vinculadas a instituições que essenciais à existência da República e do regime democrático de Direito.

Segundo Deltan Dallagnol [VIDEO], a função do Ministério Público é a da defesa do interesse público, da sociedade como um todo. Disse ainda que a atuação da promotora do MPE-SP foi legítima e dentro dos ditames legais e possui como foco a defesa da sociedade.

Completou o procurador que o mínimo que se espera, de quem está ambicionando altos cargos políticos é de respeitar essa atividade imparcial e legal do Ministério Público.

Crítica ao STF e a morosidade da Justiça

No evento, Deltan Dallagnol também criticou a demora do STF em julgar políticos envolvidos em casos de corrupção, principalmente, os envolvidos na Operação Lava Jjato. O procurador comparou a efetividade de julgamento e responsabilização entre o STF e os casos julgados pela Justiça em Curitiba (Paraná). Ele cobrou medidas do Tribunal para agilizar o prazo de trâmite dos processos. Mas em seu Twitter comentou o procurador que o STF não deve ser comparado com a Suprema Corte Americana (EUA). Segundo Dallagnol, enquanto a Suprema Corte americana julgou 100 processos em 2017, o Supremo Tribunal Federal despachou mais de 100 mil.