Enquanto o Brasil e o mundo tem seus olhos voltados para a reta final da disputa da Copa do Mundo 2018, o governo comandado pelo presidente Michel Temer (MDB) continua em sua sina de figurar nos noticiários com escândalos. Nesta quinta-feira, dia 5, o ministro do Trabalho, Helton Yomura, foi afastado da pasta após nova fase da Operação Registro Espúrio, deflagrada pela Polícia Federal (PF). A ação foi autorizada pelo ministor Edson Fachin, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF). As informações foram veiculadas pelos portais G1 e UOL.

Além de ter sido afastado do cargo, Yomura também teve sua casa no Rio de Janeiro como alvo de mandado de busca e apreensão.

Outro investigado no caso, o deputado Nelson Marquezelli (PTB-SP) teve buscas realizadas em seu gabinete na Câmara, em Brasília. Os dois são investigados pela suspeita de integrarem uma organização que agia dentro do Ministério do Trabalho, concedendo registro de sindicatos através de pagamentos de propina.

Também nesta quinta-feira, Yomura foi até a sede da PF em Brasília para prestar depoimento. Em nota, a defesa do ministro disse que “nega veemenente qualquer imputação de crime ou irregularidade”. Os advogados do ministro dizem que Yomura “adotou rigorosos providências” para auxiliar na investigação, exonerando funcionários investigados e abertura de sindicâncias e processos administrativos. Após a decisão de Fachin, o ministro fica impedido de frequentar a sede do Ministério do Trabalho e de manter contato com outros investigados e servidores da pasta.

O deputado Nelson Marquezelli também foi proibido de frequentar o Ministério do Trabalho e manter contato com servidores, salvo em casos imprecisdíveis para sua função parlamentar. Em entrevista, Marquezelli disse compreender que a ação de investigação é “um trabalho que deve ser feito e esclarecido para a população”, mas negou qualquer envolvimento irregularidades, afirmnado que não tem “nada a temer”.

Segundo informado por Marquezelli, a polícia pretende investigar “todos os deputados do PTB”. No total, a PF cumpriu na nova fase da operação dez mandados de busca e apreensão e três de prisão temporária, sendo um deles de um assessor de Marquezelli. Chefe do gabinete de Yomura, Júlio de Souza Bernardes foi outro dos que tiveram sua prisão temporária decretada, assim como Adriano José de Lima Bernardo, superintendente regional do trabalho no RJ.

Para a PF, o ministro Yomura tem agido nas fraudes como “testa de ferro” para o ex-deputado Roberto Jefferson, presidente do PTB, partido do qual Yomura também faz parte.

Yomura atuou como superintendente regional do Ministério do Trabalho no Rio de Janeiro de 2016 a 2017, vindo a assumir o Ministério do Trabalho em 2018, após ordem judicial que impediu a nomeação de Cristiane Brasil [VIDEO], filha de Jefferson, ao cargo. Pai e filha foram alvo de fases anteriores da Operação Registro Espúrio, que desde maio investiga as irregularidades relacionadas aos órgãos trabalhistas no Rio de Janeiro e em Brasília.

Com afastamento de Yomura, Ministério do Trabalho fica sem comando

Após a decisão do STF que determinou o afastamento do ministro Helton Yomura, o Ministério do Trabalho está agora sem comando oficial. Isso porque quem assumiria a pasta de maneira interina seria o secretário executivo, mas o antigo ocupante do cargo, Leonardo Arantes, teve sua prisão decretada no mês passado. O secretário executivo também é alvo da Operação Registro Espúrio, acusado de integrar o esquema de fraudes. Arantes é sobrinho do deputado Jovair Arantes (PTB-GO), outro suspeito de integrar o esquema.

Com o afastamento dos dois chefes imediatos, o Ministério do Trabalho deverá decidir entre uma das quatro secretárias abaixo da executiva para selecionar quem ficará à frente da pasta temporariamente. Até o momento, nenhum nome foi anunciado para assumir o comando do Ministério enquanto Yomura permanece afastado ou um novo ministro não é nomeado.