Raquel Dodge, procuradora-geral da República, enviou um pedido de inquérito judicial nesta quarta-feira (11) ao STJ (Superior Tribunal de Justiça). Por meio de documento oficial, a jurista fez uma petição para que o desembargador, que mandou soltar Lula no último domingo (8) [VIDEO], Rogério Favreto, seja investigado, devido a sua conduta, com relação ao ex-presidente, que está preso na sede da PF em Curitiba [VIDEO]. Pelas declarações, dá a entender que Raquel Dodge desconfia do interesse do desembargador platonista, em soltar Lula [VIDEO]; para ela Favreto deve ser investigado no que diz respeito a supostos interesses, entre ele e Lula.

Tudo começou no domingo passado (8), quando a PF (Polícia Federal) de Curitiba viveu um grande dilema, em relação à soltura ou não de Lula.

Preso e condenado a 12 anos e 1 mês por Corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do triplex no Guarujá em SP, o petista planejava com a defesa seus próximos passos para tentar liberdade por meio de Habeas Corpus. Mais tarde, o desembargado Rogério Favreto pediu sua soltura, essa, esbarrada em decisão de Moro, como também no desembargador Gelbran Neto, insistida mais uma vez por Favreto, gerando uma grande batalha interna no TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região). Por fim, o presidente do respectivo Tribunal, Thompson Flores, decidiu pela permanência da prisão de Lula.

Raquel Dodge suspeita interesse de Favreto em tentar soltar Lula por razões partidárias, pessoais e históricas

Com a repercussão na mídia da insistência do desembargador platonista Rogério Favreto em querer soltar o ex-presidente Lula da cadeia a todo custo, veio à tona a informação de que Favreto já foi filiado ao PT (Partido dos Trabalhadores) por quase 20 anos, e só se desfiliou do partido no ano anterior à nomeação do cargo de desembargador no TRF-4, na época, por indicação de Dilma Rousseff, também do PT.

A partir daí, tais fatos, junto a demais acontecimentos no processo de manutenção da prisão do ex-presidente Lula, é que geraram desconfianças por parte da procuradora da República, Raquel Dodge, no que diz respeito à ética do desembargador.

Na petição oficial, Dodge claramente suspeita a conduta de Favreto, e põe em xeque suas práticas de ofício. A PGR alega possíveis interesses ou sentimento pessoal por parte do desembargador ao ex-presidente, apoiando-se no artigo 319 do Código Penal que diz: "Retardar ou deixar de praticar, indevidamente, ato de ofício, ou praticá-lo contra disposição expressa de lei, para satisfazer interesse ou sentimento pessoal [...]".

O documento

Para ela, o desembargador prevarica, ou seja, comete um crime quando deixa de praticar ato de ofício, por motivos pessoais, conforme diz o artigo do código penal.

Se a petição da Procuradora Raquel Dodge for considerada pelo STJ (Supremo Tribunal de Justiça) a pena será de detenção, de três meses a um ano, e multa.

No termo jurídico, inquérito seria basicamente o conjunto de atos e diligências que têm por objetivo apurar a verdade de fatos alegados, o que é exatamente a pretensão de Raquel Dodge, ao encaminhar o pedido ao STJ, atualmente presidido pela ministra Laurita Vaz.