O procurador da República e coordenador da Operação Lava-Jato, Deltan Dallagnol, ficou indignado com a decisão da Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) de tirar do juiz federal Sérgio Moro [VIDEO] trechos de depoimentos prestados por ex-executivos da Odebrecht que envolvem o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Os ministros encaminharam esses trechos de delações para a Justiça de Brasília.

Dallagnol não concordou com isso e após duras críticas terá que dar explicações de sua conduta a dois órgãos disciplinares: a corregedoria do Ministério Público Federal (MPF) e a corregedoria do Conselho Nacional do Ministério Público Federal (CNMP).

Na quarta-feira (15), Deltan Dallagnol concedeu uma entrevista à rádio CBN. Irritado, ele comentou da decisão dos três ministros, que segundo ele, são sempre os mesmos que tiram de Sérgio Moro investigações importantes, sempre concedendo habeas corpus. Esses três ministros passam uma mensagem forte de leniência a favor da corrupção e formam uma "panelinha" contra a Lava Jato, declarou.

Os ministros a quem o procurador da força-tarefa se referia eram: Dias Toffoli, Ricardo Lewandowski e Gilmar Mendes. Em quase todas as votações deles, a Lava Jato fica sempre em segundo plano. Eles também são a favor de que um réu só seja preso depois de se esgotarem todos os recursos da defesa, o que poderia levar anos e mais anos.

Investigação aberta

O ministro Dias Toffoli, que assumirá o comando do Supremo no mês que vem, não gostou das insinuações do procurador.

Ele entrou em contato com Orlando Rochadel, corregedor-geral do CNMP, e pediu a abertura de uma investigação para analisar a conduta de Dallagnol.

O corregedor-geral confirmou que foi procurado pelo ministro que viu infração disciplinar cometida pelo procurador. Segundo Rochadel, a reclamação foi instaurada e, primeiramente, será analisado se houve algum indício de infração de Dallagnol durante a entrevista. Explicações serão pedidas e só depois pode ser aberto um procedimento administrativo disciplinar contra ele.

Decisão da Segunda Turma

Os ministros da Segunda Turma retiraram trechos da delação de ex-executivos da Odebrecht que continham o envolvimento de Lula e citam o ex-ministro Guido Mantega. Para eles, esses depoimentos não tem nada a ver com a Lava Jato [VIDEO].

Entretanto, a decisão não retira nenhum processo do juiz e ele pode compartilhar as informações remetidas à Brasília.