Nesta terça-feira (28), o candidato à Presidência da República [VIDEO], o deputado federal Jair Bolsonaro, será julgado no Supremo Tribunal Federal (STF) sob acusação do crime de racismo, e isso está gerando uma grande tensão nos ministros do tribunal.

Os ministros acreditam que qualquer aceitação da denúncia contra o deputado poderá interromper a sua candidatura ao Planalto, criando revolta em muitos dos seus eleitores. Bolsonaro aparece em primeiro lugar nas pesquisas, se considerarmos que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva não poderá concorrer já que se encontra inelegível diante da sua condenação em segunda instância, dessa forma, Bolsonaro possui muitos adeptos ao seu modo de ver as coisas e muitos seguidores nas redes sociais, o que poderia gerar conflitos e ódio diante de uma decisão negativa do STF.

Na visão dos ministros, a temperatura pode ferver se caso o Supremo confirme que ele cometeu crime de racismo. Sua candidatura poderá ser cancelada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Sessão desta terça

Na sessão desta terça (28), a Primeira Turma da Corte julgará o deputado. O relator do processo é o ministro Marco Aurélio Mello. O julgamento iria acontecer apenas na semana que vem, porém, os advogados de Bolsonaro pediram para que fosse adiantado esse julgamento a fim de que não atrapalhe ele durante as campanhas eleitorais [VIDEO].

A acusação foi uma ação movida pela Procuradoria-Geral da República (PGR), que viu o candidato praticando suposto racismo e manifestações discriminatórias contra quilombolas, refugiados e indígenas. O discurso dele que foi alvo da PGR aconteceu em abril do ano passado e gerou polêmica.

Bolsonaro se defendeu dizendo que apenas se declarou politicamente sobre tal fato, respeitando um diálogo com o seu eleitorado.

Caso a denúncia seja aceita, o ex-capitão se tornará réu pela terceira vez no Supremo. Ele também responde na Corte por duas ações penais, onde é acusado de apologia ao estupro quando rebateu declarações e críticas feitas pela deputada petista Maria do Rosário.

Insegurança jurídica

Vale ressaltar que o eventual recebimento de denúncias não significa que pode ter algum impacto em relação ao candidato concorrer às Eleições. Entretanto, o ministro Marco Aurélio falou, recentemente, que se um réu ganhar as eleições presidenciais poderia ocorrer um tipo de insegurança jurídica. O ministro destacou que, no ano passado, foi determinado na Corte que um réu não pode substituir um presidente da República. Nesse momento, é preciso analisar através da Constituição se pessoas com esse problema jurídico podem assumir a Presidência do Brasil, declarou o ministro.