O diretor da Polícia Federal, Rogério Galloro, concedeu uma entrevista explicando detalhes de como foi o dia em que Sérgio Moro ordenou a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo ele, foi um momento complicado e tenso e existiam homens armados preparados para invadir o sindicato. Por muito pouco isso não aconteceu. A determinação de levar Lula para cumprir pena na Superintendência da PF, em Curitiba, foi um pedido de Moro. Galloro falou que o juiz da Lava Jato sabe que não há nenhum interesse da PF de manter Lula naquele local, mas, em prol do relacionamento com ele, o seu pedido foi atendido.

O dia 7 de abril, dia em que o petista foi preso, levou o diretor da PF a viver momentos de grande tensão.

"Foi um dos piores dias da minha vida", relatou. Ele falou que avisou aos negociadores do ex-presidente que o prazo tinha acabado e que eles invadiriam o local para prender Lula. Já que o petista não cumpriu a palavra de se entregar na sexta (06), Galloro comentou que Moro ordenou que entrassem logo no sindicato e levassem o líder do PT para cumprir pena.

O diretor falou que no sábado (07), foi feito um contato com uma empresa de galpão ao lado do sindicato para que 30 homens fortemente armados ficassem preparados para uma possível invasão. Um dos temores era que a multidão enfrentasse os agentes e a situação ficasse fora de controle.

Sem poder esperar mais e pressionado pela Justiça, Galloro ordenou que os agentes entrassem. Foi aí, que Lula decidiu sair.

Cela improvisada

Galloro afirmou que não agradou à PF levar Lula para a Superintendência em Curitiba.

Porém, não se pode negar um pedido excepcional do juiz Sérgio Moro [VIDEO]. Porém, ele deixou claro que "Lula está lá de visita, de favor". Após o encerramento das investigações da Lava Jato, a tendência é que as coisas sejam mexidas.

Questionado na reportagem se teria conversado com Lula na cadeia, o diretor da PF falou que não. Segundo ele, seria um simbolismo muito ruim.

Ordem para soltar Lula

Um outro ponto de grande tensão, de acordo com Galloro, foi o momento que o plantonista do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), Rogério Favreto, ordenou que o condenado fosse solto. Galloro comentou que estava no Park Shopping, em Brasília, quando recebeu a notícia e rapidamente, comunicou ao ministro Raul Jungmann.

Ele chegou a pensar em dar as determinações para soltar o ex-presidente. Porém, naquele instante, a procuradora-geral da República, Raquel Dodge [VIDEO], teria telefonado para ele pedindo para não soltar o petista, pois ela estaria enviando um documento ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) contra isso. Depois, foi a vez do presidente do TRF-4, Carlos Thompson Flores, dar a ordem: "Eu estou determinando, não soltem". Prevaleceu a ordem final do presidente do TRF-4.