O desembargador Rogério Favreto do TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região) entregou ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) a sua defesa em relação ao processo que responde por ter ordenado que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva fosse solto no domingo 08 de julho. A ordem acabou não sendo cumprida por ação rápida do juiz Sérgio Moro, do desembargador João Gebran Neto e do presidente do TRF-4, Carlos Thompson Flores. Em sua defesa, Favreto avisou que não é amigo de Lula e criticou um possível desrespeito de Moro e da Polícia Federal por não cumprirem a sua decisão.

De acordo com Favreto, é algo estranho a PF se recusar a cumprir uma ordem judicial e consultar Sérgio Moro, que nos dizeres do desembargador, "é alçado a figura mitológica que combate o mal".

Favreto falou que colocaram o magistrado da Lava Jato como uma autoridade superior, ocasionando um desrespeito à ordem dada. O plantonista que tentou livrar Lula pediu que fosse aberto uma apuração na Corregedoria da PF para que seja analisado esses fatos descritos.

Como tudo aconteceu

No domingo dia 08 de julho, após Favreto determinar a soltura de Lula, o diretor-geral da PF, Rogério Galloro, teria consultado o juiz da Lava Jato sobre cumprir ou não a ordem. Moro [VIDEO], mesmo estando de férias, determinou que Lula não fosse solto. Em um despacho, nesse mesmo dia, o juiz havia dito que o plantonista não teria competência para tal atitude pois o colegiado do TRF-4 já tinha se decidido em manter o ex-presidente na cadeia.

Entrou em cena o desembargador João Gebran Neto assinando o que Moro falou e afirmando que, por ser relator da Lava Jato nesse tribunal, não aceitava que o petista saísse da cadeia.

As coisas só tiveram um desfecho após ser acionado o presidente do TRF-4, Carlos Thompson Flores, que impediu a liberdade do líder do PT [VIDEO].

Diante de tudo isso, o CNJ decidiu abrir um procedimento para apurar a conduta dos três juízes.

Críticas de Favreto

Favreto criticou Moro e disse que ele deveria ter uma outra atitude frente a esse episódio. Segundo o desembargador, o juiz deveria falar à PF que não poderia se manifestar sobre o caso já que veio de uma autoridade superior a dele. Ele ironizou o juiz de primeira instância falando que dá impressão de ter superpoderes.

Em relação a ter trabalhado com o ex-presidente Lula, o plantonista falou que isso não significa que ele possui amizade com o petista. Segundo ele, não se espera que o ex-presidente seja amigo de todas as pessoas que trabalharam com ele.

O desembargador Gebran Neto, que também responde esse processo, afirmou que interveio para evitar um erro de Favreto. Ele afirmou que o plantonista teve informações incompletas e foi induzido ao erro pelos deputados petistas.