A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, enviou uma manifestação ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra pedidos da defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que pede pela liberdade do seu cliente. De acordo com ela, Lula orquestrou todo o esquema de corrupção envolvendo a Petrobras e sua atuação foi imprescindível para que os crimes contra os cofres públicos fossem disseminados. Ela chegou a dizer que ele participou de tudo mediante engenhoso esquema de corrupção, segundo ela, ações irregulares altamente sofisticadas. O ministro Edson Fachin levou os recursos da defesa para apreciação e julgamento do plenário do STF. Ainda não foi confirmado a data do julgamento da ação.

De acordo com Raquel Dodge, o ex-presidente aproveitou o seu cargo poderoso e o seu posicionamento no cenário político nacional para orquestrar um dos maiores esquemas de corrupção já vistos no Brasil. Ela ressaltou que Lula nomeou cargos da direção da Petrobras que se comprometeram com atos corrupção, não confrontando aqueles que estavam cometendo os crimes.

A procuradora argumentou que Lula se preocupou com seus interesses particulares e favoreceu que atitudes ilícitas chegassem à proporções inimagináveis. Um dos trechos do documento assinado por ela e enviado à Corte, cita rara gravidade cometida pelo petista diante da sua omissão em não interromper os casos de corrupção no seu governo. Ela frisou que diretores alvos da Operação Lava Jato foram nomeados no governo do petista, como por exemplo: Paulo Roberto Costa, Nestor Cerveró e Renato Duque.

Enganação

Na concepção da procuradora, Lula usou um discurso de campanha diferente das atitudes tomadas no poder. Em suas falas, ele afirmou o combate à corrupção [VIDEO], alardeando sua honestidade. Ele prometeu punir aqueles que cometerem crimes contra os cofres públicos. Porém, segundo Dodge, ele não agiu conforme seus dizeres e por isso, deve ser punido à altura.

A procuradora pede que o STF rejeite os recursos impetrados pela defesa do condenado. Dodge também reiterou que o juiz federal Sérgio Moro trabalhou respeitando os diretos da defesa do ex-presidente e por essa razão, não convém aceitar a alegação dos advogados que citam a falta de isenção do magistrado no caso. Mesmo assim, ela falou que isso é algo para se analisar posteriormente.

Provas fartas

Em sua manifestação, Dodge falou que existe material probatório farto no processo em que o petista é acusado de receber da construtora OAS um apartamento no Edifício Solaris, em Guarujá. Para ela, tanto a propriedade quanto as reformas ocorridas foram frutos de dinheiro de propina.

Ela ressaltou que Lula [VIDEO] cometeu crimes altamente sofisticados, mediante engenhoso esquema para ocultar o imóvel da vantagem atribuída ao petista. Ela lembrou que todos esse esquema irregular ocorreu por anos e o resultado foi devastador.