Um dia após Michel Temer assinar o decreto da GLO (Garantia da Lei e da Ordem) em Roraima, o presidente, em entrevista, afirmou que, por meio de senhas, o Governo pode limitar a entrada de venezuelanos no país.

O presidente admitiu ter discutido ainda na terça-feira (28), mecanismos para reduzir o fluxo migratório vindo da Venezuela, que o estado de Roraima está sofrendo. O presidente cedeu uma entrevista à Radio Jornal, do Recife.

"Cogita-se colocar senhas para permitir a entrada de 100, 150 ou até 200 por dia e cada dia entre um pouco mais para organizar essas entradas", disse Temer.

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Diariamente cerca de 700 a 800 pessoas entram no país e isso está gerando problemas, como por exemplo, o da vacinação.

Temer disse em entrevista que é inadmissível o que ocorre com a Venezuela e que o governo brasileiro já está entrando em contato com Peru, Equador e Colômbia, países estes que também têm recebido venezuelanos. A Colômbia, em 16 meses, já recebeu cerca de 1 milhão de venezuelanos. O Peru, ao notar grande fluxo migratório, impôs regras mais rígidas, como por exemplo um passaporte válido.

Até então somente o documento nacional bastava.

"Para nós, o ideal seria que eles recebessem ajuda humanitária no seu país, dentro do seu território. Nós propusemos isso ao governo venezuelano, mas o governo recusou. Agora eles fogem de lá e vêm para cá", disse Temer. O presidente também afirmou que foi contrário ao pedido da governadora Suely Campos (PP), de fechar a fronteira. Temer disse que o Brasil é um país de acolhimento aos refugiados.

O decreto assinado pelo presidente na tarde de terça-feira (28) tem por objetivo permitir a presença das Forças Armadas no estado de Roraima e nas fronteiras.

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O exército patrulhará fronteiras e estradas federais. Além disso, homens da Segurança Nacional já atuam em Pacairama, visando manter a ordem e segurança. Hoje se completa 11 dias do primeiro conflito entre brasileiros e venezuelanos. Desde então, a segurança vem sendo reforçada.

O ministro Raul Jungmann, que atua na pasta de Segurança Pública, lamentou o ocorrido, dizendo que essa é a pior tragédia brasileira.

Reunião das nações para conter a crise

A Colômbia, Peru e Equador reuniram seu diplomatas em Bogotá para discutir a crise.

O Peru estuda fazer outra reunião, mas agora com a OEA (Organização dos Estados Americanos), que discutirá a crise venezuelana e será sediada em Lima, capital do Peru.

A Venezuela possui umas das maiores reservas de petróleo do mundo, é a quarta maior economia da América do Sul e detém um dos maiores PIB per capita do continente. O caos político e econômico que se instaurou desde o início do governo Maduro reflete em toda sua sociedade e nos países vizinhos.

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