O deputado federal, Jair Bolsonaro (RJ), candidato a presidente da República pelo PSL, afirmou no começo da tarde desta segunda-feira (13) que Walderice Santos da Conceição, a Wal, assessora lotada no gabinete dele na Câmara, pediu desligamento do cargo, prontamente aceito pelo chefe.

A Folha denunciou a existência da funcionária fantasma no quadro de colaboradores do deputado Bolsonaro em reportagem apurada no dia 11 de janeiro. A matéria apontava que a assessora lotada no gabinete de deputado vendia açaí em um comércio na Vila Histórica de Mambucaba, 50 km de distância de Angra dos Reis, no horário de expediente da Câmara dos Deputados.

O tema voltou a agitar o noticiário político durante o primeiro debate entre os pré-candidatos à Presidência da República [VIDEO], promovido e exibido pela Rede Bandeirantes na última quinta-feira (9), quando o pré-candidato Guilherme Boulos (PSOL-SP) perguntou a Jair Bolsonaro quem era Wal.

Na ocasião, o deputado respondeu que a senhora Walderice Santos da Conceição, 50, prestava serviços em sua casa em Angra e recebia um salário de R$ 2 mil (dois mil reais). Bolsonaro concluiu dizendo que a reportagem da Folha errou ao publicar a matéria, pois quando a reportagem foi à cidade e encontrou a funcionária trabalhando em um ponto comercial, ela estava gozando período de férias da Câmara, dando o assunto por encerrado.

Nova reportagem da Folha com a assessora de Bolsonaro

O jornal Folha voltou ao município carioca, nesta segunda-feira (13) e novamente encontrou a assessora parlamentar trabalhando no comércio dentro do horário de expediente da Câmara.

A comerciante e assessora confirmou à reportagem que trabalhava para o gabinete do deputado Jair Bolsonaro. A loja, situada na Vila Histórica de Mambucaba, leva o nome fantasia de "Wal Açaí".

Os repórteres da Folha conversaram com a proprietária da loja, sem se identificarem e, logo, ela comentou sobre o debate. Aos clientes, ela disse que o Boulos mencionou que o Jair tinha uma funcionária fantasma, e que essa era ela mesma.

A secretária integra o quadro de colaboradores do gabinete parlamentar do deputado Jair Bolsonaro, em Brasília, desde 2003, recebendo salário de R$ 1.351,46. O marido de Wal, Edenílson, também trabalha para o deputado como caseiro.

A versão do deputado Bolsonaro

Após a primeira reportagem, feita em janeiro, o presidenciável [VIDEO] mudou algumas vezes sua versão sobre a assessoria prestada pela funcionária de Angra. Num primeiro momento, afirmou que buscou informações sobre o endereço do ponto comercial e descobriu que a "casinha" de açaí pertencia a irmã de Walderice.

No entanto, logo, o deputado apresentou nova versão, alegando que a assessora gozava período de férias no episódio da reportagem da Folha.

Segundo a reportagem da Folha, o deputado continua usando dinheiro da Câmara dos Deputados para pagar o salário de uma funcionária que não comparece ao trabalho em Brasília. As regras da Câmara são claras quanto aos requisitos que um funcionário deve seguir. O secretário parlamentar deve trabalhar exclusivamente para o gabinete e cumprir uma carga horária de oito horas diárias.