Em reportagem publicada na madrugada desse domingo (16), o ex-governador do estado de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB) e candidato a presidência da república é acusado de beneficiar familiares através de dois decretos editados nos anos de 2013 e 2014. Segundo a Folha [VIDEO], os decretos, que visavam a construção de um prolongamento de um viaduto no município de São Roque renderam R$ 3,8 milhões a familiares de Alckmin.

As medidas assinadas por Alckmin resultaram em desapropriação de terrenos ligados a um sobrinho do ex-governador, Othon Cesar Ribeiro e sua ex-mulher, Juliana Fachada Cesar. O casal se separou, no entanto, tiveram quatro filhos.

A execução das obras foi feita pela concessionária CCR Via Oeste, implicada na Operação Lava Jato. A informação do beneficiamento dos familiares de Alckmin foi dada por executivos dessa concessionária que prestaram essas informações ao Ministério Público. Segundo os executivos, os recursos financeiros destinados à desapropriação foram pagos a Adhemar, pai de Othon.

Custo da obra foi de R$ 84,6 milhões

A construção da obra denominada “prolongamento do contorno de São Roque” custou a gestão Geraldo Alckmin cerca de R$ 84,6 milhões. As obras foram entregues em 2016, e ficam situadas na Rodovia Raposo Tavares no quilômetro 58.

Segundo apurações feitas pela reportagem da Folha de São Paulo [VIDEO], a construção da obra piorou o transito local da rodovia, já que houve um fechamento do antigo retorno que levava os motoristas a São Roque e que vinham dos municípios de Sorocaba e de Mairinque já que esses motoristas não conseguem entrar mais no município.

Por necessidade, esses motoristas acabam fazendo um retorno proibido em outro trecho da rodovia, o que segundo informações da Folha, vem ocasionando o registro de acidentes. A informação foi coletada junto a moradores da região que disseram que a obra piorou o trânsito da região.

A justificativa dada para a construção era a de que a mesma iria reduzir o tempo gasto pelos motoristas para acessar a região. No papel, a informação era a de que o tempo do trajeto seria de 2 minutos, anteriormente, o tempo gasto pelos motoristas era de 6 minutos. Após o término da obra, a economia de tempo constatada é de pouco mais de um minuto. O trajeto foi percorrido pela reportagem da Folha de São Paulo.

Outro Lado

Por meio de nota enviada por sua consultoria, Geraldo Alckmin disse que as acusações são descabidas e ofendem o bom senso já que durante seu governo assinou centenas de decretos de utilidade pública e que esses decretos eram amparados por órgãos responsáveis que tinham pareceres jurídicos assinados pela Procuradoria Geral do Estado.