Uma entrevista do comandante geral do Exército, general Villas Bôas, publicada neste domingo (09) pelo Estadão, causou contestações na visão de alguns candidatos à Presidência da República. O general citou a intolerância de ânimos nas campanhas eleitorais, o radicalismo, e afirmou que o próximo Governo pode ter a sua governabilidade questionada, o que seria péssimo para o país. Ele também afirmou que a Lei da Ficha Limpa deve ser respeitada e que um candidato sub judice não seria bem visto aos olhos das Forças Armadas.

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Antes de participar do debate da TV Gazeta, o tucano Geraldo Alckmin, candidato ao Planalto, ressaltou que quem for eleito vai ter sim um governo legítimo, diferentemente da posição declarada pelo general. Ele também reiterou que a entrevista de Villas Bôas não pode ser tirada de contexto, pois acaba sendo mal interpretada.

Ciro Gomes (PDT) revelou um certo incômodo com as palavras do comandante. Primeiro, ele enalteceu o apreço que sente pelo general, mas ressaltou que as declarações não foram bem explicadas.

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Na visão de Ciro, o general agiu dessa forma apenas para mostrar quem realmente está no comando do Exército, evitando que subordinados "falem mais alto".

O Partido dos Trabalhadores foi um dos que mais se irritou com a entrevista do chefe do Exército. Os petistas não gostaram das insinuações do general em relação ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Para o PT, a fala dele foi um "grave episódio de subordinação". O partido ainda alegou que Villas Bôas se manifestou politicamente o que, segundo eles, é inadmissível.

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Flávio Bolsonaro, filho do candidato ao Planalto Jair Bolsonaro, também criticou a fala do comandante. Ele falou que o general colocou a sua opinião na entrevista, entretanto, ele não considera o país dividido e, sim, unido em torno de Bolsonaro.

Guilerme Boulos (PSOL) afirmou que Villas Bôas não deveria comentar a política e nem se manifestar sobre sua posição.

Críticas a ONU

Villas Bôas também criticou o Comitê de Direitos Humanos da ONU pelas declarações feitas em prol da candidatura de Lula.

Para o general, o órgão não deveria invadir a soberania nacional. Lula foi preso e condenado pela Lava Jato e sua candidatura é algo a ser decidido no Brasil e não com intervenções de fora.

Recado do quartel

Oficiais generais das três Forças foram procurados para falar sobre a entrevista. Eles preferiram não se pronunciar, porém, avisaram que "o recado já foi dado". Um dos militares, segundo a revista IstoÉ, teria "cutucado" o PT: "Quem é o PT para falar de democracia?".

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Um general quatro-estrelas disse que quem está insistindo em não cumprir a lei é quem está ameaçando a democracia.

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